Collor e o neoliberalismo moralizante (1990-1992)

4 min de leituraHistória

1. Eleições diretas de 1989 e a vitória de Fernando Collor

Depois de quase trinta anos, os brasileiros voltaram às urnas para escolher diretamente o presidente da República.

Era 1989, e o clima era de esperança misturada com incerteza.

Mais de vinte candidatos disputaram a presidência, mas dois nomes se destacaram:

Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.

Collor, jovem governador de Alagoas, se apresentou como o “caçador de marajás”, prometendo acabar com os altos salários de servidores públicos e moralizar o país.

Com apoio de grandes redes de comunicação, especialmente a TV Globo, sua campanha foi marcada por um discurso agressivo, promessas de modernização e forte apelo midiático.

Lula, por outro lado, representava os trabalhadores, o sindicalismo e a esquerda popular.

A disputa foi intensa e terminou com Collor vencendo o segundo turno com 50% dos votos.

(Sugestão de recurso visual: cartaz da campanha de Collor com o slogan “caçador de marajás”, foto da votação de 1989, e um quadro comparativo dos dois principais candidatos.)

2. O Plano Collor e o confisco das poupanças

Assim que assumiu a presidência, em março de 1990, Collor anunciou um pacote econômico radical: o Plano Brasil Novo, mais conhecido como Plano Collor.

Era um plano heterodoxo, que tentava conter a hiperinflação de maneira imediata e impactante.

A medida mais polêmica foi o confisco das poupanças e de todo o dinheiro acima de 50 mil cruzeiros nas contas bancárias.

Sim, é isso mesmo que você escutou, ele literalmente pegou o dinheiro da população.

O argumento era que essa medida drástica era necessária para frear a circulação de dinheiro e, assim, controlar a inflação.

Além disso, o plano trocou novamente a moeda (do cruzado novo para o cruzeiro), congelou salários e aumentou tarifas públicas.

O impacto foi devastador: empresas quebraram, famílias ficaram sem acesso às suas economias e o consumo despencou.

(Sugestão de recurso visual: imagem de jornal com a manchete “Collor confisca a poupança”, infográfico explicando as medidas do plano e fotos de filas em bancos.)

3. Privatizações, arrocho salarial e crise econômica

Collor também implementou uma agenda econômica liberal com foco na abertura do mercado e nas privatizações.

Ele defendia que o Estado precisava ser enxugado e que a livre concorrência traria desenvolvimento.

Começaram as vendas de estatais, como a Usiminas e a CSN, e a redução de subsídios públicos.

Mas o resultado foi desastroso para a maioria da população.

O desemprego aumentou, os salários foram achatados e a inflação voltou a crescer.

Os índices sociais pioraram, e o governo perdeu rapidamente o apoio das classes médias urbanas, que haviam apostado em Collor como um símbolo de modernidade e renovação.

Lição da história: Não foi dessa vez que a população saiu ganhando.

(Sugestão de recurso visual: gráfico com crescimento do desemprego e da inflação entre 1990 e 1992, lista das primeiras estatais privatizadas.)

4. Escândalo de corrupção e o processo de impeachment

Em 1992, a crise econômica se somou a uma crise política.

Denúncias feitas por Pedro Collor, irmão do presidente, revelaram o envolvimento do tesoureiro Paulo César Farias em um esquema milionário de corrupção.

Esquema esse que beneficiava diretamente o presidente.

Empresas que faziam negócios com o governo eram obrigadas a pagar propina para manter contratos.

As revelações causaram um escândalo nacional.

O Congresso instalou uma CPI,

que comprovou que parte do dinheiro arrecadado por PC Farias servia para cobrir despesas pessoais de Collor e sua família.

A credibilidade do presidente desmoronou.

(Sugestão de recurso visual: linha do tempo com as denúncias, criação da CPI, principais provas e datas decisivas.)

5. A mobilização dos “caras-pintadas” e a queda do primeiro presidente eleito pós-ditadura

Enquanto as instituições políticas se movimentavam, nas ruas surgia um movimento que marcaria a história: os caras-pintadas.

Eram estudantes que se organizaram para protestar contra a corrupção e pedir o impeachment de Collor.

Com os rostos pintados de verde e amarelo, eles lotaram avenidas de várias capitais com gritos de “Fora Collor!”.

As manifestações ganharam apoio popular e ampliaram a pressão sobre o Congresso.

Em setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment.

Collor tentou se defender, mas o julgamento no Senado foi marcado para dezembro.

Na véspera do julgamento, o presidente renunciou numa tentativa de evitar a cassação.

Mas não adiantou: o Senado continuou o processo e o declarou inelegível até o ano 2000.

Foi a primeira vez que um presidente eleito por voto direto caiu por impeachment no Brasil.

(Sugestão de recurso visual: fotos dos protestos dos caras-pintadas, faixas de rua, caricaturas e charges da época, e imagem da sessão do Senado que confirmou a cassação de Collor.)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Collor e o neoliberalismo moralizante (1990-1992). O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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