Collor e o neoliberalismo moralizante (1990-1992)
1. Eleições diretas de 1989 e a vitória de Fernando Collor
Depois de quase trinta anos, os brasileiros voltaram às urnas para escolher diretamente o presidente da República.
Era 1989, e o clima era de esperança misturada com incerteza.
Mais de vinte candidatos disputaram a presidência, mas dois nomes se destacaram:
Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.
Collor, jovem governador de Alagoas, se apresentou como o “caçador de marajás”, prometendo acabar com os altos salários de servidores públicos e moralizar o país.
Com apoio de grandes redes de comunicação, especialmente a TV Globo, sua campanha foi marcada por um discurso agressivo, promessas de modernização e forte apelo midiático.
Lula, por outro lado, representava os trabalhadores, o sindicalismo e a esquerda popular.
A disputa foi intensa e terminou com Collor vencendo o segundo turno com 50% dos votos.
(Sugestão de recurso visual: cartaz da campanha de Collor com o slogan “caçador de marajás”, foto da votação de 1989, e um quadro comparativo dos dois principais candidatos.)
2. O Plano Collor e o confisco das poupanças
Assim que assumiu a presidência, em março de 1990, Collor anunciou um pacote econômico radical: o Plano Brasil Novo, mais conhecido como Plano Collor.
Era um plano heterodoxo, que tentava conter a hiperinflação de maneira imediata e impactante.
A medida mais polêmica foi o confisco das poupanças e de todo o dinheiro acima de 50 mil cruzeiros nas contas bancárias.
Sim, é isso mesmo que você escutou, ele literalmente pegou o dinheiro da população.
O argumento era que essa medida drástica era necessária para frear a circulação de dinheiro e, assim, controlar a inflação.
Além disso, o plano trocou novamente a moeda (do cruzado novo para o cruzeiro), congelou salários e aumentou tarifas públicas.
O impacto foi devastador: empresas quebraram, famílias ficaram sem acesso às suas economias e o consumo despencou.
(Sugestão de recurso visual: imagem de jornal com a manchete “Collor confisca a poupança”, infográfico explicando as medidas do plano e fotos de filas em bancos.)
3. Privatizações, arrocho salarial e crise econômica
Collor também implementou uma agenda econômica liberal com foco na abertura do mercado e nas privatizações.
Ele defendia que o Estado precisava ser enxugado e que a livre concorrência traria desenvolvimento.
Começaram as vendas de estatais, como a Usiminas e a CSN, e a redução de subsídios públicos.
Mas o resultado foi desastroso para a maioria da população.
O desemprego aumentou, os salários foram achatados e a inflação voltou a crescer.
Os índices sociais pioraram, e o governo perdeu rapidamente o apoio das classes médias urbanas, que haviam apostado em Collor como um símbolo de modernidade e renovação.
Lição da história: Não foi dessa vez que a população saiu ganhando.
(Sugestão de recurso visual: gráfico com crescimento do desemprego e da inflação entre 1990 e 1992, lista das primeiras estatais privatizadas.)
4. Escândalo de corrupção e o processo de impeachment
Em 1992, a crise econômica se somou a uma crise política.
Denúncias feitas por Pedro Collor, irmão do presidente, revelaram o envolvimento do tesoureiro Paulo César Farias em um esquema milionário de corrupção.
Esquema esse que beneficiava diretamente o presidente.
Empresas que faziam negócios com o governo eram obrigadas a pagar propina para manter contratos.
As revelações causaram um escândalo nacional.
O Congresso instalou uma CPI,
que comprovou que parte do dinheiro arrecadado por PC Farias servia para cobrir despesas pessoais de Collor e sua família.
A credibilidade do presidente desmoronou.
(Sugestão de recurso visual: linha do tempo com as denúncias, criação da CPI, principais provas e datas decisivas.)
5. A mobilização dos “caras-pintadas” e a queda do primeiro presidente eleito pós-ditadura
Enquanto as instituições políticas se movimentavam, nas ruas surgia um movimento que marcaria a história: os caras-pintadas.
Eram estudantes que se organizaram para protestar contra a corrupção e pedir o impeachment de Collor.
Com os rostos pintados de verde e amarelo, eles lotaram avenidas de várias capitais com gritos de “Fora Collor!”.
As manifestações ganharam apoio popular e ampliaram a pressão sobre o Congresso.
Em setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment.
Collor tentou se defender, mas o julgamento no Senado foi marcado para dezembro.
Na véspera do julgamento, o presidente renunciou numa tentativa de evitar a cassação.
Mas não adiantou: o Senado continuou o processo e o declarou inelegível até o ano 2000.
Foi a primeira vez que um presidente eleito por voto direto caiu por impeachment no Brasil.
(Sugestão de recurso visual: fotos dos protestos dos caras-pintadas, faixas de rua, caricaturas e charges da época, e imagem da sessão do Senado que confirmou a cassação de Collor.)