Cinética Radioativa e Datação

6 min de leituraQuímica

Introdução

Nos capítulos anteriores, vimos que um átomo de Urânio-238, em algum momento, vai se transformar em Tório-234.

Mas quando? Isso acontece rápido? Leva um segundo? Mil anos? Um milhão de anos?

Como a gente mede a "velocidade" de um decaimento radioativo?

E a pergunta mais legal de todas: será que a gente pode usar essa "velocidade" como um relógio para descobrir a idade das coisas, como fósseis de dinossauros ou múmias egípcias?

A resposta é sim! E a chave para tudo isso é um conceito chamado meia-vida.

Mas pera, pera, pera… a gente já estudou meia-vida, em Cinética Química, e foi extremamente complexo.

Vimos que a meia-vida depende da ordem da reação, depende da concentração das substâncias… vamos ver isso de novo?

Calma, a forma que estudamos meia-vida em cinética química é muito mais complexa do que a forma que veremos agora.

No assunto de radioatividade, veremos o tempo de meia-vida como ele costuma de fato aparecer na grande maioria das questões:

Sendo um valor constante, de forma que nos cabe calcular apenas o tempo total para acontecer tal situação.

Será muito mais fácil agora, então seguimos…

1. Tempo de Meia-Vida ($t_{1/2}$)

O decaimento de um único átomo é um evento totalmente aleatório.

Não temos como saber quando aquele átomo específico vai decair.

Mas, quando temos uma amostra com bilhões e bilhões de átomos radioativos, o comportamento do conjunto se torna muito previsível.

A "velocidade" com que essa amostra decai é medida pela sua meia-vida, representada por $t_{1/2}$.

A definição é bem simples:

Meia-vida ($t_{1/2}$) é o tempo necessário para que METADE da quantidade de átomos radioativos de uma amostra se desintegre.

Se você tem 100g de um material radioativo com meia-vida de 1 ano:

Após 1 ano (1 meia-vida), você terá 50g do material original (e 50g dos produtos do decaimento).

Após mais 1 ano (2 meias-vidas no total), metade dos 50g restantes vai decair. Você terá 25g do material original.

Após mais 1 ano (3 meias-vidas no total), você terá 12,5g.

E assim por diante... A quantidade do material original vai caindo pela metade a cada período de meia-vida.

É importante saber que a meia-vida é uma constante para cada isótopo radioativo.

O Urânio-238 tem uma meia-vida de 4,5 bilhões de anos, enquanto o Carbono-14 tem uma meia-vida de 5.730 anos.

Graficamente, esse decaimento tem um formato característico:

2. Datação por Carbono-14: A máquina do tempo dos arqueólogos

Uma das aplicações mais incríveis do conceito de meia-vida é a datação de fósseis e artefatos antigos usando o Carbono-14 ($^{14}C$).

De onde vem o Carbono-14?

O carbono mais comum não é o Carbono-12, mas a nossa atmosfera é constantemente bombardeada por raios cósmicos que vêm do Sol e do espaço.

Esses raios produzem nêutrons que, ao colidirem com os átomos de Nitrogênio-14 ($^{14}N$) do ar, os transformam em Carbono-14, um isótopo radioativo.

Como ele entra em nós?

Esse Carbono-14 reage com o oxigênio e forma dióxido de carbono ($CO_2$) radioativo.

As plantas, através da fotossíntese, absorvem esse $CO_2$. Os animais herbívoros comem as plantas, e os carnívoros comem os herbívoros.

Resultado: enquanto um organismo está vivo, ele está constantemente trocando carbono com o ambiente.

Por isso, a proporção de Carbono-14 dentro dele é a mesma da atmosfera, e se mantém constante.

O relógio começa a contar...

No exato momento em que o organismo morre (uma árvore é cortada, um animal é soterrado), essa troca para.

Ele não absorve mais Carbono-14.

A partir daí, o Carbono-14 que já estava no corpo do organismo começa a decair, se transformando de volta em Nitrogênio-14, com uma meia-vida de aproximadamente 5.730 anos.

Como a gente calcula a idade?

É genial! Os cientistas medem a quantidade de Carbono-14 que ainda resta no fóssil e a comparam com a quantidade que deveria ter se ele estivesse vivo.

Com isso, eles sabem quanta da amostra original já decaiu.

Exemplo

Uma múmia é encontrada em uma caverna.

A análise mostra que a quantidade de Carbono-14 nela é de 25% da quantidade encontrada em um ser humano vivo.

Qual a idade da múmia?

Ponto de partida

Um organismo vivo tem 100% de C-14.

Após 1 meia-vida (5.730 anos)

A quantidade cairia para 50%.

Após 2 meias-vidas

A quantidade cairia para metade de 50%, ou seja, 25%.

Opa! Achamos. Se a múmia tem 25% da quantidade original de C-14, significa que se passaram duas meias-vidas desde que ela morreu.

Idade da múmia = 2×5.730 anos=11.460 anos.

É assim que a química nos permite olhar para o passado e datar com precisão eventos que aconteceram há milhares de anos!

3. Meia vida em fórmula

Se você quiser usar uma fórmula, você pode utilizar $[ ]final = [ ]inicial . (\frac{1}{2})^{\frac{\Delta t}{t_{1/2}}}$

De forma que, sabendo o tempo de meia vida e a concentração final, você consegue descobrir o tempo que a substância está decaindo.

E isso mesmo que não seja um número “divisível por 2”!

Por exemplo, se uma substância A tem 20% da concentração inicial e o seu $t_{1/2}$ é de 10 minutos, ela está decaindo há quanto tempo?

Considere log 2 = 0,3

$[ ]final = [ ]inicial . (\frac{1}{2})^{\frac{\Delta t}{t_{1/2}}}$

$0,2 [ ]inicial = [ ]inicial . (\frac{1}{2})^{\frac{\Delta t}{10}}$

$2 . 10^{-1} = 2^{- \frac{\Delta t}{10}}$ (aplicando log dos dois lados)

$log (2 . 10^{-1}) = log (2^{- \frac{\Delta t}{10}})$

$log 2 + log (10^{-1}) = - \frac{\Delta t}{10} . log 2$

$log 2 + - log 10 = - \frac{\Delta t}{10} . log 2$

$0,3 - 1 = - \frac{\Delta t}{10} . (0,3)$

$- 0,7 = - (0,3) . \frac{\Delta t}{10}$

$7 = 3 . \frac{\Delta t}{10}$

$70 = 3 . \Delta t$

$\Delta t$ = aprox. 23,33 min

Finalizado, vimos que não dependemos de números quebrados para achar o tempo de decaimento de uma substância radioativa.

Como o tempo de meia vida em isótopos é constante, basta utilizarmos logaritmo em qualquer situação que temos condições de descobrir o tempo exato.

No próximo capítulo, vamos explorar as reações nucleares mais poderosas que existem: a fissão, que move usinas nucleares, e a fusão, que alimenta o nosso Sol.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Cinética Radioativa e Datação. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
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Acompanhamento
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