China e o Socialismo de Mercado
1. A abertura econômica da China: Deng Xiaoping e as Zonas Econômicas Especiais
A China era um país super fechado, que tinha feito uma revolução socialista lá em 1949, nada de novo até aqui.
Mas depois que o líder Mao Tsé-Tung morreu, um cara chamado Deng Xiaoping assumiu o poder e mudou tudo!
Ele percebeu que a economia da China estava estagnada e que precisava de uma renovação.
O que ele fez? Ele abriu as portas do país para o capitalismo, mas do jeitinho chinês.
A partir de 1970, ele criou as ZEEs (Zonas Econômicas Especiais),
que eram cidades na costa onde as empresas estrangeiras podiam investir sem pagar tantos impostos.
A mão de obra era barata, a infraestrutura era boa,
e isso atraiu um monte de capital de fora.
Foi assim que a China começou a crescer de um jeito assustador,
se tornando a "fábrica do mundo".
A ideia era: a gente tem um monte de gente para trabalhar e vocês têm o dinheiro e a tecnologia, então vamos fazer negócios!
2. Contradições do modelo chinês: crescimento econômico x repressão política
Aqui é que a coisa fica interessante.
A China pegou o melhor do capitalismo (o crescimento econômico) e misturou com a política socialista (o controle do Estado).
O resultado foi chamado de socialismo de mercado, um modelo bem diferente de tudo que a gente já viu.
Por um lado, o crescimento econômico foi gigante, tirando milhões de pessoas da pobreza.
Mas por outro, a China manteve um sistema político super autoritário.
O governo controla tudo, desde a imprensa até a internet, e persegue quem se opõe a ele.
Em 1989, por exemplo, um monte de estudantes e trabalhadores foram para as ruas protestar pedindo mais liberdade,
no episódio que ficou conhecido como Primavera de Pequim.
A resposta do governo foi violenta, e centenas de pessoas foram mortas no que ficou conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial.
Então, a gente pode dizer que a China vive em uma grande contradição:
O país é capitalista na economia, mas continua socialista na política.
3. As tensões diplomáticas com Taiwan, Japão e o Tibete
Além de todo o avanço econômico, a China também tem um monte de problemas diplomáticos que vêm de longa data e que ameaçam a estabilidade de toda a Ásia.
A "briga" com Taiwan:
Sabe quando o irmão mais novo quer morar sozinho, mas o mais velho não deixa?
É mais ou menos isso que acontece entre a China e Taiwan.
Para a China, Taiwan é uma província rebelde, que pertence ao seu território desde que a Revolução Chinesa aconteceu e o governo nacionalista fugiu para a ilha.
Já Taiwan se considera um país independente, com seu próprio governo e sua própria democracia.
É um impasse que dura décadas, e a China insiste que, se for preciso, vai usar a força para "reunificar" a ilha, o que deixa a situação super tensa.
A relação complicada com o Japão:
A rivalidade entre China e Japão não é de hoje.
A China acusa o governo japonês de tentar "apagar" a história da Segunda Guerra Mundial, publicando livros didáticos que não falam
sobre a dominação brutal que o Japão impôs ao território chinês.
Essa falta de reconhecimento das atrocidades do passado gera uma revolta enorme na população chinesa
e faz com que as tensões diplomáticas estejam sempre lá, prontas para explodir a qualquer momento.
A questão do Tibete:
Essa é uma das histórias mais tristes.
Em 1950, a China invadiu o Tibete, que era uma região independente e com uma cultura e religião próprias.
O governo chinês alega que modernizou o local e melhorou a vida das pessoas, mas o povo tibetano, liderado por seu chefe político e espiritual,
o Dalai Lama, luta pela autonomia e contra a repressão.
O Dalai Lama vive exilado e é super perseguido pela China.
Em 2008, durante as Olimpíadas de Pequim, os tibetanos aproveitaram a presença da imprensa internacional para protestar
e mostrar ao mundo o que eles estavam passando.
Mesmo com a pressão, a China continua com seu controle sobre a região e não dá liberdade aos tibetanos.
4. A China na OMC e seu papel como nova potência global
A gente viu que a China se tornou a "fábrica do mundo", né?
De tanto crescer e produzir, em dezembro de 2001, a China finalmente foi aceita como membro oficial da OMC.
Isso foi um grande marco.
Pensa assim: é como se a China, que antes jogava por conta própria,
agora entrasse no campeonato mundial de futebol e jogasse com as regras de todo mundo.
Isso deu a ela acesso a um monte de mercados novos e a tornou uma jogadora principal na economia global.
Só que, como em todo bom jogo, a China também é acusada de trapacear.
Desde que entrou na OMC, o país é constantemente questionado por violar alguns acordos internacionais. As principais acusações são:
Principais Acusações
Trabalho semiescravo:
A China é acusada de usar mão de obra em condições precárias, o que diminui o custo de produção e faz com que seus produtos sejam super baratos e imbatíveis no mercado.
Protecionismo e subsídios:
Apesar de ser membro da OMC, a China é acusada de proteger suas próprias indústrias, dando dinheiro (subsídios) para elas e dificultando a entrada de produtos estrangeiros.
Meio ambiente:
O crescimento industrial desenfreado da China tem um custo ambiental enorme.
O país é um dos maiores emissores de CO₂ do mundo, o que tem um impacto gigantesco no clima.
E aí você me pergunta: "Maria, se a China faz tudo isso, por que a OMC não pune o país?"
A resposta é simples e meio triste: porque a OMC tem medo de perder o acesso ao mercado chinês.
O país tem uma classe média gigantesca, e os outros países estão super interessados em vender seus produtos para essa população.
Expulsar a China da OMC seria um tiro no pé para a economia de quase todo o mundo.
A postura cautelosa da organização, por isso, se justifica por essa dependência comercial.
No fim das contas, a entrada da China na OMC consolidou o país como a segunda maior economia do planeta,
mas também levantou um monte de debates sobre justiça, ética
e o poder da economia em um mundo globalizado.