Caminhos da Guerra: as três batalhas que forjaram a Alemanha
1. A Guerra dos Ducados (1864): uma aliança por interesse
No último capítulo, a gente viu que o Bismarck não estava de brincadeira
e que a unificação da Alemanha seria "a ferro e sangue".
E foi exatamente o que aconteceu!
A primeira jogada dele, que pode parecer pequena,
mas foi essencial, foi a Guerra dos Ducados, em 1864.
O que rolou? A Dinamarca, que ficava ali pertinho,
decidiu que os ducados de Schleswig e Holstein,
que tinham uma população majoritariamente alemã, seriam parte do seu reino.
Claro que a ideia não foi bem vinda
e Bismarck viu a oportunidade perfeita para dar o primeiro passo
e arrumar confusão com a Áustria.
Ele propôs uma aliança com a Áustria para ir pra guerra contra a Dinamarca.
A Áustria aceitou, e juntas as duas potências derrotaram os dinamarqueses rapidinho.
A vitória foi fácil, e o acordo foi o seguinte: a Prússia ficava com Schleswig e a Áustria ficava com Holstein.
Mas, como a gente já sabe, o objetivo de Bismarck não era só ter um território a mais.
Ele já estava planejando a próxima guerra.
E o alvo? A própria Áustria!
2. A Guerra Austro-Prussiana (1866): a Áustria no caminho
Bismarck não demorou muito para arrumar um pretexto.
Ele acusou a Áustria de estar administrando mal o ducado de Holstein.
Pode parecer bobo, mas foi a desculpa que ele precisava para declarar guerra.
Essa foi a chamada Guerra Austro-Prussiana,
que também ficou conhecida como a Guerra das Sete Semanas
porque foi tão rápida que o conflito acabou em menos de dois meses!
A Prússia, com seu exército super modernizado, esmagou as forças austríacas.
Sabe por que a vitória foi tão rápida?
O exército prussiano usava uma tecnologia militar super avançada pra época:
um fuzil chamado Dreyse, que permitia que os soldados atirassem deitados e recarregassem muito mais rápido.
Enquanto os austríacos ficavam de pé, vulneráveis, os prussianos atiravam sem parar.
As consequências foram enormes:
a Confederação Germânica,
aquela que a gente viu no primeiro capítulo e que a Áustria controlava, foi dissolvida.
E no lugar dela, a Prússia criou a Confederação Germânica do Norte,
com ela como líder e excluindo totalmente a Áustria do processo de unificação.
3. A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871): a jogada final de Bismarck
Só faltava um problema para a Alemanha se unificar de vez: a França.
O imperador francês, Napoleão III,
não gostava nada da ideia de ter uma nova potência forte do lado,
e os estados do sul da Alemanha, que eram mais católicos,
ainda não tinham se juntado à Prússia.
Bismarck, então, armou a sua última grande jogada.
O trono da Espanha ficou vago e foi oferecido a um príncipe prussiano.
Napoleão III, furioso, mandou uma carta exigindo que a Prússia jamais aceitasse o trono.
O rei da Prússia, Guilherme I, educadamente,
se recusou a prometer isso para sempre, e enviou um telegrama a Bismarck, explicando a conversa.
E é aqui que a história fica mais interessante:
Bismarck pegou o telegrama, deu uma "editada" para deixar o texto mais agressivo
e fez a carta parecer um insulto aos franceses.
A mídia publicou, e o povo da França ficou com tanta raiva que declarou guerra à Prússia!
Essa foi a Guerra Franco-Prussiana.
Deu tudo certo para Bismarck, porque os estados do sul,
vendo a França como um inimigo comum, se juntaram à Prússia.
A França foi derrotada, e a vitória foi tão impressionante que, em 1871,
no Palácio de Versalhes, o lugar que era símbolo do poder francês,
o rei Guilherme I foi coroado Kaiser (que significa "imperador") da Alemanha.
E foi assim que nasceu o Segundo Reich, o Império Alemão, com a Prússia no comando e a França completamente humilhada.
Você sabia? O Despacho de Ems
A tal carta editada que causou a guerra ficou conhecida como o "Despacho de Ems".
Bismarck fez apenas algumas pequenas alterações no texto original,
deixando-o mais curto e direto.
O resultado? O que era um comunicado diplomático educado se transformou em uma afronta,
fazendo parecer que o rei prussiano tinha humilhado o embaixador francês.
A imprensa caiu de cabeça, e a guerra se tornou inevitável,
tudo por causa de umas poucas palavras.


