As Revoluções Liberais de 1820
1. As Revoluções Liberais de 1820
A gente acabou de ver como as ideias de liberalismo e nacionalismo foram se espalhando.
Mas e na prática?
O que aconteceu quando a galera resolveu colocar essas ideias em ação?
Bem, a história é um pouco assim: depois que Napoleão Bonaparte foi derrotado em 1815,
os países mais poderosos da Europa se reuniram no Congresso de Viena.
O objetivo deles era apagar tudo o que a Revolução Francesa e as conquistas napoleônicas tinham feito.
Eles queriam que o mundo voltasse a ser como era antes,
com os reis absolutistas no poder.
Para garantir que ninguém ousasse se rebelar de novo, criaram a Santa Aliança,
uma espécie de exército para defender as monarquias.
Nada de novo até aqui, certo?
Mas isso claramente não deu muito certo.
As ideias de liberdade e de nação já tinham se enraizado.
E foi assim que, por volta de 1820, a Europa começou a pegar fogo de novo.
2. A Revolução Liberal do Porto (Portugal)
Em Portugal, a coisa estava bem bagunçada.
A família real, com o nosso D. João VI, tinha fugido para o Brasil em 1808 por causa das invasões napoleônicas.
A corte portuguesa, que estava acostumada a mandar em tudo,
se mudou para o Rio de Janeiro.
Enquanto isso, Portugal ficou sob a proteção de um general britânico,
William Carr Beresford, que, na prática, governava o país.
A burguesia portuguesa, principalmente a da cidade do Porto, estava indignada!
Eles queriam que o rei voltasse e, mais do que isso,
queriam ter o controle do comércio com o Brasil de novo.
Então, em 1820, a burguesia do Porto liderou uma revolução e exigiu duas coisas:
que D. João VI voltasse para Portugal
e que ele jurasse uma Constituição para limitar seus poderes,
acabando com o absolutismo de vez.
Essa revolução foi super importante para a história do Brasil, porque forçou D. João VI a voltar para Portugal em 1821,
deixando seu filho, D. Pedro I, aqui.
Com a pressão portuguesa para que o Brasil voltasse a ser uma colônia,
D. Pedro I proclamou a nossa Independência em 1822.
Ou seja, a revolução em Portugal foi uma das causas da nossa separação.
3. A Revolução Liberal Espanhola
Do lado de cá, na Espanha, a história era parecida.
A população queria de volta a Constituição de Cádiz,
que garantia direitos e limitava o poder do rei.
Mas o rei, Fernando VII, que tinha sido restaurado no poder pela Santa Aliança,
não gostou da ideia.
Ele desfez a Constituição e perseguiu os liberais.
A revolta de 1820 começou com um general chamado Rafael de Riego,
que liderou suas tropas para forçar o rei a jurar a Constituição de novo.
Por um tempo, a Espanha teve um governo liberal, mas a alegria durou pouco.
A Santa Aliança interveio novamente.
O rei Fernando VII pediu ajuda, e os franceses invadiram a Espanha e restauraram o absolutismo.
Isso mostrou que, embora as ideias de liberdade estivessem crescendo,
os monarcas ainda tinham muita força e se uniam para esmagar qualquer ameaça.
4. Levantes na Itália
A Itália, que ainda não era um país unificado, também teve suas revoltas.
Elas aconteceram no Reino das Duas Sicílias e em Piemonte.
Inspirados pelos liberais da Espanha e de Portugal,
os revoltosos queriam que os reis de suas regiões também jurassem
uma Constituição para garantir direitos.
Nesses levantes, as revoltas foram lideradas principalmente por grupos secretos,
como a carbonária, que eram sociedades secretas com ideais liberais e nacionalistas.
No Reino das Duas Sicílias, por exemplo, eles forçaram o rei a aceitar uma Constituição.
Em Piemonte, os liberais também conseguiram vitórias temporárias.
Mas a alegria durou pouco. A Santa Aliança entrou em ação mais uma vez para sufocar as revoltas.
A Áustria, que era uma das potências mais conservadoras da Europa
e tinha muito interesse em manter a Itália dividida para expandir sua influência na região,
liderou a repressão.
O exército austríaco invadiu a região e esmagou os levantes, restaurando o poder dos monarcas absolutistas.
Isso mostrou que a luta pela unificação da Itália seria longa e difícil,
e que as potências conservadoras fariam de tudo para manter o status quo.
5. A Guerra de Independência da Grécia
A Grécia, como a gente viu, estava sob o domínio do vasto Império Otomano.
Impulsionados por um forte nacionalismo,
os gregos iniciaram uma guerra de independência em 1821.
Apesar de a Santa Aliança ser contra revoluções, a causa grega, com sua cultura milenar,
tocou o coração de muitos europeus, que se sentiam herdeiros da cultura clássica.
Artistas, poetas e intelectuais, como o famoso poeta inglês Lord Byron,
foram lutar e morrer pela causa grega.
Essa é a primeira vez que a gente vê o nacionalismo unindo pessoas de diferentes países em torno de uma mesma causa.
A luta dos gregos mostrou que a ideia de nação era uma força que não podia mais ser ignorada,
e eles conseguiram se libertar em 1830, com ajuda militar de França, Inglaterra e Rússia.
Viu só? A paz que o Congresso de Viena queria impor não durou nada.
E essas foram só as primeiras faíscas.
A gente se vê no próximo capítulo para falar das revoluções de 1830, que foram ainda mais intensas.



