As Revoluções Liberais de 1820

5 min de leituraHistória

1. As Revoluções Liberais de 1820

A gente acabou de ver como as ideias de liberalismo e nacionalismo foram se espalhando.

Mas e na prática?

O que aconteceu quando a galera resolveu colocar essas ideias em ação?

Bem, a história é um pouco assim: depois que Napoleão Bonaparte foi derrotado em 1815,

os países mais poderosos da Europa se reuniram no Congresso de Viena.

O objetivo deles era apagar tudo o que a Revolução Francesa e as conquistas napoleônicas tinham feito.

Eles queriam que o mundo voltasse a ser como era antes,

com os reis absolutistas no poder.

Para garantir que ninguém ousasse se rebelar de novo, criaram a Santa Aliança,

uma espécie de exército para defender as monarquias.

Nada de novo até aqui, certo?

Mas isso claramente não deu muito certo.

As ideias de liberdade e de nação já tinham se enraizado.

E foi assim que, por volta de 1820, a Europa começou a pegar fogo de novo.

2. A Revolução Liberal do Porto (Portugal)

Em Portugal, a coisa estava bem bagunçada.

A família real, com o nosso D. João VI, tinha fugido para o Brasil em 1808 por causa das invasões napoleônicas.

A corte portuguesa, que estava acostumada a mandar em tudo,

se mudou para o Rio de Janeiro.

Enquanto isso, Portugal ficou sob a proteção de um general britânico,

William Carr Beresford, que, na prática, governava o país.

A burguesia portuguesa, principalmente a da cidade do Porto, estava indignada!

Eles queriam que o rei voltasse e, mais do que isso,

queriam ter o controle do comércio com o Brasil de novo.

Então, em 1820, a burguesia do Porto liderou uma revolução e exigiu duas coisas:

que D. João VI voltasse para Portugal

e que ele jurasse uma Constituição para limitar seus poderes,

acabando com o absolutismo de vez.

Essa revolução foi super importante para a história do Brasil, porque forçou D. João VI a voltar para Portugal em 1821,

deixando seu filho, D. Pedro I, aqui.

Com a pressão portuguesa para que o Brasil voltasse a ser uma colônia,

D. Pedro I proclamou a nossa Independência em 1822.

Ou seja, a revolução em Portugal foi uma das causas da nossa separação.

3. A Revolução Liberal Espanhola

Do lado de cá, na Espanha, a história era parecida.

A população queria de volta a Constituição de Cádiz,

que garantia direitos e limitava o poder do rei.

Mas o rei, Fernando VII, que tinha sido restaurado no poder pela Santa Aliança,

não gostou da ideia.

Ele desfez a Constituição e perseguiu os liberais.

A revolta de 1820 começou com um general chamado Rafael de Riego,

que liderou suas tropas para forçar o rei a jurar a Constituição de novo.

Por um tempo, a Espanha teve um governo liberal, mas a alegria durou pouco.

A Santa Aliança interveio novamente.

O rei Fernando VII pediu ajuda, e os franceses invadiram a Espanha e restauraram o absolutismo.

Isso mostrou que, embora as ideias de liberdade estivessem crescendo,

os monarcas ainda tinham muita força e se uniam para esmagar qualquer ameaça.

4. Levantes na Itália

A Itália, que ainda não era um país unificado, também teve suas revoltas.

Elas aconteceram no Reino das Duas Sicílias e em Piemonte.

Inspirados pelos liberais da Espanha e de Portugal,

os revoltosos queriam que os reis de suas regiões também jurassem

uma Constituição para garantir direitos.

Nesses levantes, as revoltas foram lideradas principalmente por grupos secretos,

como a carbonária, que eram sociedades secretas com ideais liberais e nacionalistas.

No Reino das Duas Sicílias, por exemplo, eles forçaram o rei a aceitar uma Constituição.

Em Piemonte, os liberais também conseguiram vitórias temporárias.

Mas a alegria durou pouco. A Santa Aliança entrou em ação mais uma vez para sufocar as revoltas.

A Áustria, que era uma das potências mais conservadoras da Europa

e tinha muito interesse em manter a Itália dividida para expandir sua influência na região,

liderou a repressão.

O exército austríaco invadiu a região e esmagou os levantes, restaurando o poder dos monarcas absolutistas.

Isso mostrou que a luta pela unificação da Itália seria longa e difícil,

e que as potências conservadoras fariam de tudo para manter o status quo.

5. A Guerra de Independência da Grécia

A Grécia, como a gente viu, estava sob o domínio do vasto Império Otomano.

Impulsionados por um forte nacionalismo,

os gregos iniciaram uma guerra de independência em 1821.

Apesar de a Santa Aliança ser contra revoluções, a causa grega, com sua cultura milenar,

tocou o coração de muitos europeus, que se sentiam herdeiros da cultura clássica.

Artistas, poetas e intelectuais, como o famoso poeta inglês Lord Byron,

foram lutar e morrer pela causa grega.

Essa é a primeira vez que a gente vê o nacionalismo unindo pessoas de diferentes países em torno de uma mesma causa.

A luta dos gregos mostrou que a ideia de nação era uma força que não podia mais ser ignorada,

e eles conseguiram se libertar em 1830, com ajuda militar de França, Inglaterra e Rússia.

Viu só? A paz que o Congresso de Viena queria impor não durou nada.

E essas foram só as primeiras faíscas.

A gente se vê no próximo capítulo para falar das revoluções de 1830, que foram ainda mais intensas.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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