As Regências Trinas e Unas: Entre Reformas e Conflitos

5 min de leituraHistória

1. Composição e atuação das Regências Trinas Provisória e Permanente

Depois da saída de Dom Pedro I,

o Brasil entrou numa espécie de laboratório político.

Quem mandava, afinal?

A resposta foi:

um grupo de três pessoas provisórias, os chamados regentes.

Primeiro, a Regência Trina Provisória, formada por Francisco de Lima e Silva, Nicolau Vergueiro e José Joaquim Carneiro de Campos, tentou controlar os ânimos.

Eles representavam diferentes interesses, como já bem falamos:

Lima e Silva era mais liberal; Vergueiro e Caravelas, mais conservadores e centralizadores.

Durante a Regência Trina Provisória (1831), o Brasil enfrentou um momento crítico de transição.

Foram tomadas medidas como a anistia a presos políticos, a expulsão de estrangeiros do Exército e, principalmente, a extinção temporária do Poder Moderador,

símbolo do autoritarismo imperial.

Sem criar novas instituições permanentes, os regentes apenas controlaram a crise imediata,

enquanto crescia o debate sobre centralização versus autonomia, que moldaria os próximos anos do período regencial.

Mas não ficou só nisso.

Em junho de 1831, foi eleita a Regência Trina Permanente.

Nela entraram José da Costa Carvalho (o marquês de Monte Alegre), João Bráulio Muniz

e o próprio Francisco de Lima e Silva, que permaneceu no cargo.

Esses nomes vinham da elite educada, com forte ligação com o serviço público e com as ideias do Império.

O foco deles era conter o caos e manter a ordem.

Durante a Regência Trina Permanente (1831–1835), o Brasil passou por reformas importantes.

Criou-se a Guarda Nacional para substituir o Exército como força de controle interno.

E se estabeleceu o Ato Adicional de 1834, que ampliou a autonomia das províncias,

criando Assembleias Legislativas.

Essas mudanças buscavam descentralizar o poder e conter as tensões políticas, mas também abriram espaço para disputas intensas e diversas revoltas nas províncias.

Preste atenção nessa parte, pois ela vai ser muito importante para a compreensão dos próximos capítulos.

Você sabia? O ato de 1834

O Ato Adicional de 1834 foi uma das reformas mais importantes do período regencial.

Ele criou Assembleias Legislativas Provinciais, dando mais autonomia para as províncias tomarem decisões locais.

Além disso, extinguiu o Conselho de Estado e transformou a Regência Trina em Regência Una, com apenas um regente, para dar mais agilidade ao governo.

Essa medida tentou equilibrar os interesses entre centralização e descentralização do poder no Império.

Em poucas palavras, podemos dizer que o Brasil viveu uma experiência republicana a partir do ato liberal de 1834.

2. Principais medidas: reformas educacionais, instituição da Guarda Nacional, reforma do Judiciário

Vamos aprofundar um pouco nas principais mudanças que aconteceram nesse período.

Bem, apesar da turbulência, os regentes tomaram decisões importantes.

Um dos destaques foi a transformação das Escolas de Medicina do Rio e da Bahia em faculdades autônomas.

Era uma forma de reforçar a ideia de uma identidade nacional pela educação.

Eles também reorganizaram o Judiciário e criaram o Tribunal do Júri, uma tentativa de tornar a justiça mais próxima do povo — mesmo que fosse uma proximidade limitada.

Mas a medida mais polêmica e duradoura foi a criação da Guarda Nacional, em 1831.

Essa força armada seria formada por cidadãos com renda mínima, ou seja, gente da elite.

Apesar do nome bonito, a Guarda funcionava mais como uma polícia para defender os interesses dos grandes proprietários nas províncias.

Não à toa, ela se tornaria um símbolo da repressão e da exclusão social, atuando até a Primeira República.

3. Divisão entre partidos Moderado, Exaltado e Restaurador

A política do período estava longe de ser tranquila.

Três grupos principais disputavam espaço:

os Moderados (ou chimangos), que queriam um equilíbrio entre centralização e algumas reformas;

os Exaltados (ou jurujubas), defensores de mais autonomia e ideias mais radicais;

e os Restauradores (ou caramurus), que queriam a volta de Dom Pedro I e da velha ordem.

Esses grupos brigavam no parlamento, na imprensa e nas ruas.

E essa divisão influenciava diretamente a forma como o país era governado.

Qualquer decisão precisava passar por uma verdadeira queda de braço entre esses interesses opostos, o que deixava o governo frágil e sujeito a constantes crises.

4. Ascensão e queda de Feijó e transição para Araújo Lima

Nesse cenário de disputas, um nome se destacou: padre Diogo Antônio Feijó.

Ele era liberal, defensor de reformas e contrário ao retorno de Dom Pedro I.

Como ministro da Justiça, teve papel central no combate aos caramurus.

Depois, foi eleito como o primeiro regente uno (ou seja, governando sozinho), em 1835.

Sua eleição simbolizava uma tentativa de dar mais agilidade e personalidade ao governo.

Mas o caminho de Feijó foi curto e turbulento.

Sem apoio político consistente e enfrentando revoltas em várias províncias, ele renunciou em 1837, alegando problemas de saúde.

Em seu lugar entrou Pedro de Araújo Lima, o marquês de Olinda, de perfil conservador.

Com ele, começaria um período de “regresso”, de recuo das reformas liberais e de fortalecimento do poder central.

Você sabia? O padre que não tinha apoio da Igreja

Mesmo sendo padre, Diogo Feijó enfrentou forte oposição da própria Igreja durante sua regência.

Muitos bispos e religiosos viam com desconfiança suas posições liberais e seu apoio ao fim do celibato clerical.

Essa tensão entre o regente e a hierarquia católica mostrava como até os religiosos estavam divididos sobre os rumos do Brasil naquele período.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

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