Anglicanismo
1. O Anglicanismo: reforma por interesse político e econômico
O anglicanismo surgiu na Inglaterra, impulsionado pelo rei Henrique VIII, que desejava anular seu casamento com Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena.
(nem só de política se vive o homem)
Diante da negativa do papa, o rei rompeu com a Igreja Católica.
No entanto, mais do que uma questão amorosa, o rompimento envolvia interesses políticos e econômicos profundos.
Entre os principais pontos defendidos pelo anglicanismo estavam:
Supremacia do monarca sobre a Igreja:
Com o Ato de Supremacia, o rei se tornou o chefe máximo da nova Igreja Anglicana, substituindo a autoridade papal.
Celebração do culto em inglês:
Em vez do latim, a liturgia passou a ser realizada na língua local, facilitando o acesso dos fiéis.
Conservação de práticas católicas:
Apesar da ruptura com Roma, o anglicanismo manteve muitos rituais, vestes e a hierarquia semelhante à católica.
Valorização da Bíblia:
A tradução das Escrituras para o inglês foi incentivada, permitindo maior proximidade do povo com o texto sagrado.
Apropriação dos bens da Igreja:
O Estado confiscou terras e riquezas da Igreja Católica, ampliando seu poder político e econômico.
Na época, a Igreja Católica possuía enormes propriedades e riqueza na Inglaterra,
além de forte influência sobre a administração do reino.
E é óbvio que Rei não era o maior fã disso, então digamos, a Reforma foi o contexto perfeito para ele tirar parte do poder da Igreja.
Ao romper com Roma, Henrique VIII confiscou os bens da Igreja,
fortaleceu o poder da Coroa e reduziu a influência do papa.
Em 1534, com o Ato de Supremacia e o rei foi declarado chefe da Igreja Anglicana.
O que foi o Ato de Supremacia?
Foi uma série de leis aprovadas pelo Parlamento da Inglaterra nos séculos XVI e XVII que estabeleceu o monarca inglês como o chefe supremo da igreja da Inglaterra,
substituindo o Papa.
Essa nova igreja conservava muitos aspectos externos do catolicismo, como vestes, rituais e estrutura hierárquica, mas adotava algumas doutrinas protestantes,
como a leitura da Bíblia em inglês e a negação da autoridade papal.
A Reforma inglesa foi, portanto, uma reforma imposta de cima para baixo, com forte controle estatal.
Ela consolidou-se principalmente na Inglaterra, enfrentando resistência inicial de setores católicos, que foram duramente reprimidos.
Nos reinados seguintes, especialmente sob Elizabeth I (1558–1603), o anglicanismo ganhou forma definitiva, consolidando a identidade religiosa e nacional inglesa.
Elizabeth manteve o Ato de Supremacia e reforçou a autoridade real sobre a Igreja, buscando um equilíbrio entre tradições católicas e doutrinas protestantes.
Sob seu governo, foi criada a Via Média (Middle Way), que tentava conciliar práticas religiosas para estabilizar o país após anos de conflitos religiosos.
A monarca também promoveu a Lei de Uniformidade, que obrigava o uso do Livro de Oração Comum e o comparecimento às missas anglicanas.
A intolerância aos católicos e puritanos também marcou esse processo, com períodos alternados de repressão e tentativa de conciliação.
O governo de Elizabeth enfrentou ameaças internas de complôs católicos e externas, como a tentativa de invasão pela Espanha católica com a Armada Invencível em 1588,
derrotada pelos ingleses, o que fortaleceu ainda mais a identidade protestante do reino.
Mas não se preocupe, quando falarmos sobre a Inglaterra vamos especificar melhor esses processos.


