Adição em Carbonilas: Aldeídos e Cetonas

3 min de leituraQuímica

Você já viu que ligações pi entre carbonos podem sofrer reações de adição.

Agora vamos ver um novo tipo de adição: aquelas que acontecem nas ligações pi entre o carbono e o oxigênio, ou seja, nas carbonilas!

As carbonilas estão presentes principalmente nos aldeídos e nas cetonas, e são extremamente reativas por causa de duas coisas:

  • A existência de uma ligação pi, mais fraca e mais fácil de ser rompida;

  • A polaridade da carbonila.

O oxigênio é bem mais eletronegativo que o carbono, puxando os elétrons da ligação e deixando o carbono com carga parcial positiva ($C^+$).

Isso transforma a carbonila num verdadeiro alvo para reagentes nucleofílicos, que querem doar um par de elétrons para esse carbono C+.

1. Adição de hidrogênio (hidrogenação)

Essa é uma das reações mais clássicas com carbonilas. Consiste na adição de H₂, na presença de catalisadores como Ni, Pt ou Pd.

Se a dupla C=O vai ser quebrada, um H entra no C e outro H entra no O.

Então vamos raciocinar: se um H se liga a um O, formamos um -OH, o que caracteriza um álcool.

Então o que diferencia a hidrogenação de um aldeído da de uma cetona é apenas o tipo de álcool que será formado.

  • Quando um aldeído é hidrogenado → forma um álcool primário.

  • Quando uma cetona é hidrogenada → forma um álcool secundário.

E não é algo que precisa ser decorado, basta usar a lógica da definição de cada uma das duas funções.

ALDEÍDO: R-HC=O → Hidrogenação → R-H₂C-OH

CETONA: $R_1-R_2C=O → Hidrogenação → R_1R_2HC-OH$

2. Entendendo o mecanismo da adição

O mecanismo é bem direto:

  1. A molécula de hidrogênio se ativa na superfície do catalisador.

  2. A carbonila, pela diferença de eletronegatividade, forma um carbono carregado positivamente (C+) e um oxigênio negativo (O-).

  3. Sendo assim, as quebras das ligações são heterolíticas.

  4. O carbono da carbonila (C+) atrai um átomo de H nucleófilo.

  5. O oxigênio (com excesso de carga negativa) atrai o outro átomo de H eletrófilo.

  6. A ligação pi é rompida e se formam duas novas ligações sigma: C—H e O—H.

Resultado: a carbonila vira um grupo hidroxila (OH) e um novo H entra no carbono.

Novamente, entender o mecanismo é mais importante que decorar, pois as questões não vão abordar isso de forma direta.

Entender o raciocínio poupa seu cérebro de gastar memória com decoreba besta. Esse é para ser um raciocínio simples.


3. Existem outras adições em carbonilas

Essa adição não é exclusiva do H₂.

Outros reagentes também podem participar da adição à carbonila, como vamos ver no próximo capítulo (Grignard, hidroxila, etc.).

Mas o conceito base é o mesmo: um nucleófilo ataca o carbono da carbonila.

No próximo capítulo, vamos ver como os famosos reagentes de Grignard também se aproveitam dessa polaridade das carbonilas.

Será o último dos nossos capítulos de adição, então coragem, estamos acabando!


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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