Adição em Alcadienos e Aromáticos
Depois de vermos a adição em alcenos e alcinos, agora é hora de entender dois casos especiais: os alcadienos e os compostos aromáticos.
Ambos têm ligações pi envolvidas, mas o comportamento deles é bem diferente — e é isso que vamos explorar aqui.
1. Adição em Alcadienos
Os alcadienos são moléculas que possuem duas ligações duplas. Eles podem ser classificados como:
Acumulados – as duas duplas estão no mesmo carbono;
Isolados – as duplas estão separadas por pelo menos dois carbonos simples;
Conjugados – as duplas estão separadas por uma ligação simples, ou seja, estão alternadas (ex: CH₂=CH–CH=CH₂).
Com os alcadienos acumulados ou isolados, é o que já estudamos desde sempre: a adição pode ser parcial ou total.
Se for parcial, quebramos uma dupla. Se for total, quebramos as duas duplas.
Agora com os conjugados que as reações de adição ficam interessantes.
Quando um reagente é adicionado a um alcadieno conjugado, como o buta-1,3-dieno e o hexa-2,4-dieno, podem surgir dois tipos de produto:
Adição 1,2 → o reagente entra nos dois primeiros carbonos da dupla;
Adição 1,4 → o reagente entra no primeiro carbono da primeira dupla e no último carbono da última dupla, com uma nova dupla surgindo no meio.
A adição 1,2 não tem segredo, a primeira dupla é quebrada e você adiciona o reagente nos dois carbonos da primeira dupla, como na imagem abaixo.
A adição 1,4 que precisa de um raciocínio maior.
Nessa adição, nós quebramos as duas duplas do alcadieno, mas nós só adicionamos reagente nos dois carbonos da extremidade,
ou seja, no primeiro carbono da primeira dupla e no segundo carbono da segunda dupla.
E os outros dois carbonos, que precisam de um novo ligante, mas não recebem um reagente, o que acontece com eles?
Para que eles não fiquem só, eles se dão as mãos livres e formam uma nova dupla, nas posições 2,3.
Ambos os produtos são possíveis, mas como vou saber qual dos dois que vai se formar?
O que vai definir o majoritário é a temperatura da reação:
Se a reação for feita a baixa temperatura, o produto majoritário será o da adição 1,2, porque ele é formado mais rápido (controle cinético).
Se for feita a alta temperatura, o produto majoritário será o da adição 1,4, que é mais estável (controle termodinâmico).
Portanto, temperaturas baixas favorecem a adição 1,2 e temperaturas altas favorecem a adição 1,4.
2. Adição em Aromáticos
Os compostos aromáticos, como o benzeno, são muito estáveis devido à ressonância.
Por isso, em condições normais, eles não reagem por adição — preferem substituições.
As moléculas buscam a estabilidade, correto? E existe algo mais estável do que uma molécula aromática?
Se você quebra uma dupla do benzeno, ele perderá a sua aromaticidade e se tornará menos estável, você acha mesmo que ele quer isso?
Por isso, substituições são preferíveis nos benzenos, pois as duplas são mantidas.
Mas se formos teimosos e forçarmos a barra com condições bem específicas, dá para quebrar essa estabilidade e realizar uma adição.
Hidrogenação do benzeno:
Condições Específicas: 180 ºC e 140 atm, com catalisador de Ni, Pt ou Pd
C₆H₆ + 3H₂ → C₆H₁₂ (ciclo-hexano)
Aqui, todos os elétrons pi são rompidos e os hidrogênios se adicionam, transformando o benzeno em um cicloexano comum.
Halogenação do benzeno:
Também é possível adicionar halogênios ao benzeno em condições especiais de temperatura e pressão. Exemplo:
C₆H₆ + 3Cl₂ → C₆H₆Cl₆ (1,2,3,4,5,6-hexaclorociclo-hexano)
Essas reações não são comuns no dia a dia do laboratório, mas caem em questões teóricas.
Por isso, você precisa saber que precisam de alta energia para acontecer.
Já vimos adição em alcenos, alcinos, ciclos, alcadienos e aromáticos.
Nosso próximo capítulo será sobre os casos em que a regra de Markovnikov não se aplica.


