A Violência Organizada: Camisas Negras e a Marcha sobre Roma
1. A ligação entre violência, espetáculo e medo
Sabe quando a gente vê em filmes de máfia ou de gangues,
que eles se vestem igual e andam em grupos pra intimidar os outros?
O fascismo usou uma tática parecida, só que em uma escala nacional.
Eles tinham a sua própria "gangue", os Camisas Negras.
Esses caras eram uma espécie de milícia, um grupo paramilitar,
que era o braço armado do Partido Fascista.
Eles usavam uniformes pretos e atacavam brutalmente quem se opunha ao fascismo,
principalmente os socialistas e os sindicalistas.
Eles invadiam sedes de jornais de oposição, quebravam tudo em escritórios de partidos
rivais e agrediam quem estava nas ruas.
A violência não era escondida, era escancarada
e, de certa forma, era um espetáculo.
A violência dos Camisas Negras não era aleatória.
Ela tinha um propósito.
Quando eles atacavam um grupo, não era só para acabar com ele,
era para mostrar pra todo mundo o que aconteceria se você se opusesse ao fascismo.
Isso criava um clima de medo generalizado.
O recado era claro:
"a gente é forte, a gente não tem medo de usar a força, e se você não apoiar a gente, pode ser a próxima vítima".
Além disso, essas ações, feitas à luz do dia, mostravam que o Estado,
que na época era o governo democrático, não conseguia controlá-los.
Ou pior, que o Estado estava sendo conivente.
E foi exatamente isso que aconteceu.
2. O apoio da elite industrial, agrária e militar ao fascismo
E por que ninguém parava os Camisas Negras?
Porque eles tinham apoio de gente muito poderosa.
Lembra que a gente falou que a elite rica, os donos de terra e de indústrias,
estavam com medo do comunismo?
Eles viam a violência fascista como a única forma de "botar ordem na casa"
e proteger suas fortunas.
Então, eles não só fechavam os olhos para a violência,
como também financiavam o Partido Fascista.
Pra eles, era uma troca: eles davam dinheiro e influência,
e o fascismo garantia que os operários não tomariam suas fábricas e terras.
Essa aliança entre o fascismo e a elite foi fundamental para a ascensão do regime.
3. A Marcha sobre Roma: simbolismo e força
Em 1922, a Itália estava em uma crise política tão grande que Mussolini viu a sua chance.
A esquerda italiana resolveu fazer uma greve geral.
Mussolini, pra responder a essa ameaça,
organizou um evento que ficou marcado na história:
a Marcha sobre Roma.
Cerca de 50 mil Camisas Negras marcharam em direção à capital.
Não foi uma luta de verdade, com tiros e bombas.
Foi mais um show de força, uma demonstração de poder.
Eles não precisaram dar um tiro.
O rei da Itália, Vítor Emanuel III, vendo a força do movimento e com medo de uma guerra civil, decidiu não reagir.
Pelo contrário: ele convidou Mussolini para se tornar o novo primeiro-ministro.
Foi um golpe de Estado sem tiros.
O fascismo tomou o poder não pela força das leis ou do voto,
mas pela intimidação e pela conivência dos poderosos e do próprio rei.
(Sugestão de recurso visual: foto ou ilustração da Marcha sobre Roma, com as colunas de Camisas Negras.)
4. Mussolini no poder: de primeiro-ministro a ditador
Ao se tornar primeiro-ministro,
Mussolini começou a desmontar a democracia italiana aos poucos,
como se estivesse jogando um jogo de xadrez.
Aos poucos, ele foi conseguindo mais poderes.
Ele mudou as leis, perseguiu seus opositores
e foi transformando a Itália em uma ditadura de partido único.
Aos poucos, o Duce (o líder, como ele era chamado)
concentrou todo o poder nas suas mãos.
Ele não era mais só o chefe de governo; ele era a lei.
Viu só como a violência e a esperteza do Mussolini foram essenciais?
O fascismo não venceu em uma eleição limpa,
ele se impôs pelo medo e pelo apoio de quem estava mais interessado em manter seu poder.
No próximo capítulo, a gente vai ver como ele usou esse poder pra criar
um Estado totalmente novo e repressivo.