A vida na nova capital: festas, cultura e contradições

4 min de leituraHistória

1. Festa é poder: procissões, foguetórios e a política do brilho

Se você acha que viver no Rio de Janeiro com a corte era só pompa e glamour,

a gente precisa conversar.

A cidade ganhou muito com a presença da família real,

mas também teve que lidar com contradições, improvisos e desigualdades

que marcaram a formação da nova capital do Império.

Mas claro, vamos começar com as festas.

Eram muitas.

Sério, qualquer coisa virava motivo para procissões, foguetórios, cortejos e celebrações misturando o sagrado e o profano.

Havia sete procissões religiosas principais no calendário do Rio de Janeiro,

como a de São Sebastião e a do Corpo de Deus,

mas também se festejava aniversário de membro da realeza, aclamações, casamentos reais

e até a chegada de convidados estrangeiros.

Nessas ocasiões, não era raro ver o próprio rei d. João

e seus figurões desfilando com uniformes bordados entre populares, cantores da Capela Real e soldados.

Era a monarquia tentando se afirmar por meio do brilho das festas.

2. Imprensa Régia e os primeiros jornais: voz oficial × voz da oposição

Mas cultura não era só festa.

A vinda da Imprensa Régia foi um passo importante para a difusão de ideias.

Criada em 1808, essa tipografia oficial tinha como missão imprimir documentos do governo, livros e também um jornal:

a Gazeta do Rio de Janeiro.

Mas calma lá, esse jornal estava longe de ser livre.

Era praticamente um megafone do governo.

Enquanto isso, na Inglaterra, Hipólito da Costa criava o Correio Braziliense,

um jornal clandestino, livre da censura, que criticava o governo português

e defendia ideias liberais.

3. Franceses nos trópicos: a Missão Artística e o neoclassicismo

Em 1816, a cidade também recebeu a Missão Artística Francesa,

liderada por Lebreton.

Com ela vieram pintores, escultores, arquitetos e gravadores que trouxeram o estilo neoclássico europeu para o Brasil.

Apesar do choque cultural e da resistência de artistas locais,

os franceses foram fundamentais na formação da Escola de Belas Artes

e na tentativa de transformar o Rio em uma capital à altura das monarquias europeias.

4. A cidade dos "pequenos monstros": higiene, mosquitos e reclamações

E se você acha que o problema era só com o transporte, prepare-se.

Os relatos dos estrangeiros são cheios de queixas sobre ratos, mosquitos, baratas e sujeira nas ruas.

(como se lá não fosse assim, tirando os mosquitos)

Um deles chegou a dizer que o Rio era "uma das mais sujas associações de seres humanos sob o céu".

Momento Reflexão: Porque “pequenos monstros”?

Você já parou pra pensar como o olhar de quem vem de fora pode influenciar a imagem que temos de nós mesmos?

Quando os estrangeiros chamavam o Rio de “cidade dos pequenos monstros”,

eles não estavam só falando dos mosquitos —

estavam rindo, zombando, estranhando tudo que era diferente do que estavam acostumados.

Mas será que o problema era mesmo o Rio... ou o olhar de quem não queria entender o Brasil?

A cidade era cheia de problemas? Sim.

Mas também era cheia de vida, cultura e resistência.

Então, quando você ouvir esses apelidos, vale se perguntar:

De onde vêm essas ideias?

E mais:

Quem ganha com elas sendo repetidas até hoje?

5. A Pequena África: presença negra e trabalho escravizado nas ruas

Mas não tem como falar da vida no Rio sem destacar a presença africana.

O número de escravizados era enorme, e muitos deles atuavam como negros de ganho.

Esses trabalhadores eram alugados pelos seus senhores para prestar serviços e entregar parte do dinheiro recebido.

Estavam por toda parte:

vendendo comida, carregando peso, conduzindo cadeiras, trabalhando como barbeiros ou quituteiras.

A região próxima ao Paço era tão marcada por essa presença africana que ficou conhecida como Pequena África.

A cidade era, ao mesmo tempo,

palco de transformações culturais e de uma profunda desigualdade.

Entre festas e procissões, jornais oficiais e clandestinos,

artistas franceses e escravizados que movimentavam a economia urbana,

o Rio se transformava.

Era um novo centro de poder, mas com velhos problemas que insistiam em permanecer.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender A vida na nova capital: festas, cultura e contradições. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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