A Segunda Revolução Industrial

6 min de leituraHistória

1. O Início da Revolução e as Novas Tecnologias

A gente viu que o século XIX foi cheio de ideias e revoluções políticas.

Mas, ao mesmo tempo, algo estava acontecendo no mundo das fábricas que mudaria tudo: a Segunda Revolução Industrial.

Se a Primeira Revolução Industrial, no final do século XVIII, foi sobre o vapor e o carvão,

essa segunda fase foi sobre novas fontes de energia

e tecnologias que impulsionaram o capitalismo para um nível totalmente novo.

A partir de 1850 é que a ciência se uniu ao dinheiro de um jeito que nunca tínhamos visto.

As invenções da época eram simplesmente revolucionárias.

O aço, que era muito mais resistente que o ferro, permitiu a construção de pontes gigantes, arranha-céus e ferrovias mais seguras.

A comunicação também foi transformada:

o telégrafo sem fio, o telefone e o rádio encurtaram distâncias de uma forma inacreditável.

Além de todas essas novidades, a medicina também deu um salto enorme.

Foram inventados os anestésicos, os antissépticos e até mesmo a aspirina, em 1899.

2. Novas Fontes de Energia: Eletricidade e Petróleo

As novas fontes de energia mudaram a forma como vivíamos.

A eletricidade se espalhou pelas cidades, iluminando as ruas e, mais tarde,

alimentando bondes.

A invenção da lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1879, por exemplo,

permitiu que as fábricas e as cidades funcionassem por mais tempo,

aumentando a produtividade e transformando a vida noturna.

Já o petróleo, que começou a ser usado para iluminação,

logo se tornou o combustível perfeito para os primeiros motores a combustão.

No final do século, o primeiro carro com motor a gasolina, criado por Karl Benz

na Alemanha em 1886, deu início a uma nova era.

O petróleo se tornou a principal fonte de energia do planeta,

o que desencadearia uma penca de guerras e disputas por território no século seguinte.

Você Sabia? As guerras do petróleo

A gente acabou de ver que o petróleo foi uma das grandes invenções do século XIX.

Mas o que parecia uma maravilha da ciência e da tecnologia,

viria a se tornar, décadas depois, uma das principais causas de conflitos no mundo.

O controle das reservas de petróleo, principalmente no Oriente Médio,

se tornou uma disputa ferrenha entre as grandes potências mundiais no século XX,

e é a razão de muitas guerras e tensões geopolíticas até hoje.

Ou seja, uma invenção de um século gerou consequências que duram até o próximo.

3. O Taylorismo e a Organização Científica do Trabalho

Com as novas tecnologias, a produção também mudou,

e o objetivo agora era produzir em massa, de forma mais rápida e barata.

Foi aí que o engenheiro Frederick Taylor desenvolveu, no final do século XIX,

um modelo para "cientificar" a administração das empresas, conhecido como Taylorismo.

O sistema buscava gerenciar o trabalho e os trabalhadores de forma mais eficiente, controlando cada movimento e cada tempo.

O objetivo era maximizar a produtividade e eliminar o desperdício,

como se o trabalhador fosse parte de uma máquina.

Momento Reflexão: A Alienação do Trabalho

Já parou para pensar em como o trabalho era antes das fábricas?

Um sapateiro, por exemplo, fazia o sapato inteiro, do início ao fim.

Ele escolhia o couro, cortava, costurava, dava forma...

Ele via a sua criação nascendo e sentia um orgulho do trabalho dele.

Com a revolução nas fábricas, o trabalho mudou completamente.

Agora, com o Taylorismo, o trabalhador não fazia mais um produto inteiro.

Ele passava o dia todo fazendo o mesmo movimento repetitivo: apertando um parafuso, cortando um pedaço de tecido, montando uma única parte.

O resultado? O trabalhador se sentia como uma peça de engrenagem, um robô.

O filósofo Karl Marx, que a gente já conversou, chamou isso de alienação do trabalho.

O operário, nessa visão, se afastava do produto que ele estava ajudando a criar.

Ele não se via mais no seu trabalho, na sua criatividade ou no seu esforço.

Ele apenas vendia a sua força de trabalho em troca de um salário,

mas perdia a conexão com o que produzia.

Essa falta de sentido e de controle sobre o próprio trabalho se tornou um dos grandes problemas da sociedade industrial.

4. O Fordismo e a Revolução da Linha de Montagem

O grande símbolo dessa nova era foi Henry Ford, que, nos Estados Unidos,

criou o modelo de produção em massa em suas fábricas de automóveis.

A partir de 1914, Ford já produzia 300 mil carros por ano.

Seu método se tornou conhecido como Fordismo e se baseava na linha de montagem,

onde cada trabalhador ficava parado e fazia apenas uma parte repetitiva da tarefa,

enquanto o produto se movia em uma esteira.

O trabalho ficava repetitivo, mas a produção explodia.

Essa nova fase do capitalismo, com o enorme custo para criar indústrias,

levou à formação de grandes empresas, os monopólios.

Gigantes como os truste e os cartéis passaram a dominar a economia.

Momento Reflexão: A Modernidade e suas Contradições

A gente viu que o progresso do século XIX transformou as cidades.

Paris, por exemplo, foi toda reformada com grandes avenidas, esgotos e iluminação.

Mas essa modernização também teve um lado B, um lado bem mais sombrio.

Você consegue imaginar a bagunça que a modernidade criou?

Era gente vindo do campo para as cidades, as fábricas a todo vapor, a eletricidade iluminando a noite…

Tudo era super rápido e caótico.

Muita gente se sentia perdida no meio de tanta mudança.

O filósofo Friedrich Nietzsche, por exemplo,

criticava essa ideia de que a ciência e o progresso resolveriam todos os problemas humanos.

Para ele, essa crença era uma ilusão.

O lado ruim é que, para criar essa modernidade,

os mais pobres foram expulsos para as periferias, e as desigualdades sociais só aumentaram.

A "ordem" da cidade, com suas avenidas largas,

também tinha um motivo para ser assim: evitar que o povo construísse barricadas,

como a gente viu na Revolução de Julho e na Primavera dos Povos.

Ou seja, a modernidade do século XIX foi um pacote completo:

tinha inovação e riqueza, mas também tinha miséria, solidão e controle.

Uma modernidade que, como a gente viu, era cheia de contradições.


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

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