A Revolução Francesa: Do Terceiro Estado à Tomada da Bastilha
1. O Terceiro Estado em Ação: Por Que a Rebelião?
No último capítulo, a gente viu que a França estava um caos: a grana sumindo, a monarquia gastando demais
e, o pior, a maior parte da população vivendo na miséria e sem voz.
As ideias iluministas já estavam no ar, e a convocação dos Estados Gerais em 1789 parecia ser a última esperança.
Mas, como a gente já previu, as coisas não saíram como o rei queria, e a insatisfação explodiu!
Lembra que o Terceiro Estado representava 98% da população francesa?
Pois é, essa galera, que incluía desde os camponeses mais pobres até a rica burguesia, se sentia completamente desprezada.
Eles pagavam todos os impostos, trabalhavam duro para sustentar o país, mas não tinham nenhum privilégio nem poder político.
A gota d'água foi na reunião dos Estados Gerais.
O Terceiro Estado queria que a votação fosse "por cabeça" (cada representante um voto),
porque assim, sendo a maioria, eles poderiam finalmente aprovar reformas que mudassem a situação.
Mas o clero e a nobreza, que queriam manter seus privilégios, insistiram no voto "por Estado" (cada Estado um voto), garantindo que sempre venceriam por 2 a 1.
Foi aí que o Terceiro Estado percebeu: "Não adianta! Com esse sistema, a gente nunca vai conseguir nada!".
Eles se sentiram humilhados e traídos.
Não dava mais para aturar a injustiça e a falta de representatividade.
A rebelião era o único caminho!
2. O Juramento do Jogo da Péla e o Nascimento da Assembleia Nacional
Com a recusa dos privilegiados em mudar o sistema de votação, os representantes do Terceiro Estado tomaram uma atitude ousada.
Em 20 de junho de 1789, eles se reuniram em uma sala de jogo de pela (um esporte parecido com o tênis) perto do palácio de Versalhes,
pois foram impedidos de entrar no salão principal.
Lá, eles fizeram um juramento histórico: o Juramento do Jogo da Péla.
(Sugestão de recurso visual: Pintura famosa do Juramento do Jogo da Péla, de Jacques-Louis David, mostrando a emoção e a união dos representantes.)
Eles juraram que não sairiam dali enquanto não tivessem criado uma Constituição para a França.
Eles se proclamaram a Assembleia Nacional Constituinte,
ou seja, eles se declararam os verdadeiros representantes do povo, com poder para criar novas leis e organizar o país de um jeito justo para todos.
Isso foi um golpe e tanto para o poder do rei, que até tentou impedir, mas já era tarde.
Era o povo tomando as rédeas da sua própria história!
3. A Queda da Bastilha: O Grito da Revolução
Enquanto a Assembleia Constituinte debatia as mudanças,
o clima em Paris era de muita tensão.
O povo, faminto e revoltado com os preços altos e a miséria, começou a se mobilizar.
Havia rumores de que o rei estava preparando o exército para reprimir a revolução.
Foi então que, em 14 de julho de 1789, a população de Paris,
em um ato de desespero e coragem, invadiu e tomou a Bastilha.
(Sugestão de recurso visual: Uma gravura ou pintura da Tomada da Bastilha, com a multidão e a fortaleza em destaque, transmitindo o caos e a importância do evento.)
A Bastilha era uma antiga fortaleza que funcionava como prisão.
Ela não tinha muitos prisioneiros importantes na época, mas era um grande símbolo do poder absoluto e da tirania dos reis
– era para lá que as pessoas eram enviadas sem julgamento, por ordem do rei.
A sua queda foi muito mais do que a tomada de uma prisão; foi um ato simbólico poderoso.
Significa que o povo não tinha mais medo do rei, que o Antigo Regime estava caindo e que a revolução estava, de fato, começando!
A notícia da Queda da Bastilha se espalhou como um incêndio por toda a França, inspirando revoltas em outras cidades e no campo.
Era a prova de que o povo podia, sim, mudar o seu destino.
4. As Primeiras Reformas e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
Com a força da revolução nas ruas, a Assembleia Nacional Constituinte começou a trabalhar a todo vapor para mudar as coisas.
Algumas das primeiras e mais importantes medidas foram:
Fim dos Privilégios Feudais:
A nobreza e o clero perderam seus privilégios. Acabou aquela história de não pagar impostos, de ter leis diferentes, de explorar os camponeses.
Foi uma grande vitória para o Terceiro Estado!
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (agosto de 1789):
Esse documento é um dos mais importantes da história!
Ele defendia que todos os homens nascem livres e iguais em direitos. Quais direitos? Liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão.
Basicamente, a Declaração afirmava que o governo existe para proteger esses direitos
e que a soberania (o poder de governar) pertence à nação, ou seja, ao povo, e não mais ao rei.
Foi a materialização das ideias iluministas, um verdadeiro "tapa na cara" do absolutismo, que pregava justamente o contrário.
A Revolução Francesa começou com a busca por justiça e igualdade.
A Tomada da Bastilha e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foram os primeiros passos de uma transformação radical que abalaria não só a França,
mas o mundo inteiro. Mas será que o rei aceitou tudo isso de boa?
E o que aconteceu com a França depois de tanta mudança?
A gente vai ver que a revolução estava apenas começando e ainda guardava muitas surpresas!
(Sugestão de recurso visual: Imagem da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, talvez com a bandeira da França ao fundo, para representar a importância do documento.)
Momento Reflexão: E as Mulheres, Onde Estavam?
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi um marco, sem dúvida, mas se você prestou atenção no nome, vai notar uma "pequena" exclusão, certo?
"Direitos do Homem e do Cidadão".
Pois é, por mais revolucionária que fosse para a época, essa declaração não incluía as mulheres.
Para muitos revolucionários, "homem" era sinônimo de "ser humano",
mas na prática, os direitos de voto, de assumir cargos públicos e de se manifestar livremente ainda eram negados às mulheres.
Foi aí que uma escritora e ativista corajosa chamada Olympe de Gouges (cujo nome verdadeiro era Marie Gouze) resolveu não se calar.
Em 1791, ela publicou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, um texto super importante que, em linhas gerais,
seguia a estrutura do documento original, mas adaptando-o para incluir as mulheres em todos os direitos civis e políticos.
Ela defendia a igualdade entre os sexos, inclusive no direito ao voto e ao divórcio.
Olympe de Gouges tinha uma frase icônica:
"A mulher tem o direito de subir ao patíbulo; ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna."
Infelizmente, em um período mais radical da Revolução,
o governo revolucionário (que era formado por homens e não aceitava bem a participação política feminina) considerou as ideias dela perigosas.
Olympe de Gouges foi presa e, em 1793, guilhotinada,
acusada de ser contrarrevolucionária.
Sua morte é um triste exemplo de como, mesmo em um momento de grandes mudanças, a luta por igualdade plena ainda enfrentava muita resistência e violência.