A Revolução de Fevereiro de 1917
1. O peso da Primeira Guerra Mundial
Em 1914, o mundo inteiro entrou em guerra, a Primeira Guerra Mundial,
e a Rússia, claro, não ficou de fora.
Para o czar Nicolau II, a guerra parecia uma chance de unir o povo,
de fazer a galera esquecer os problemas e se focar em um inimigo comum.
Mas o tiro saiu pela culatra.
A guerra foi um desastre total para a Rússia.
A economia, que já não era lá essas coisas, entrou em colapso.
A indústria se voltou para a produção de armas,
e aí faltou comida e produtos básicos para a população.
A inflação disparou, os preços subiram sem parar e a fome se espalhou.
Para completar, os militares russos não estavam preparados para uma guerra tão grande.
Milhões de soldados morreram, foram feridos ou capturados.
Imagina a tristeza e o cansaço do povo.
(Sugestão de recurso visual: Um gráfico simples mostrando a queda na produção de alimentos e o aumento dos preços durante a Primeira Guerra Mundial na Rússia.)
2. A revolta popular e a queda do czar
Com a situação insustentável, a insatisfação tomou as ruas.
Mas a Revolução de Fevereiro, na verdade, começou com algo bem simples,
mas poderoso: mulheres.
No dia 23 de fevereiro, que hoje em dia a gente comemora como 8 de março
(por causa da diferença de calendário na época),
milhares de mulheres foram para as ruas de Petrogrado, a capital.
Elas não queriam derrubar o governo, só pediam uma coisa que estava em falta: pão.
Mas a revolta das mulheres foi como uma faísca.
Nos dias seguintes, a manifestação virou uma greve geral.
Trabalhadores de todas as fábricas se juntaram ao protesto.
A cidade inteira parou.
A gente já viu que a população estava exausta com a guerra e a fome,
e essa foi a chance de mostrar para o governo que a paciência tinha acabado.
O czar Nicolau II, que estava longe da capital, deu uma ordem:
a Guarda Imperial deveria reprimir os manifestantes.
Parecia que ia ser mais um Domingo Sangrento,
mas algo inacreditável aconteceu:
os soldados se recusaram a atirar na própria população.
Cansados da guerra, desiludidos e solidários com o sofrimento do povo,
eles começaram a desertar.
Mais do que isso, eles se juntaram aos manifestantes!
De repente, regimentos inteiros de tropas do czar marcharam lado a lado com os operários e as mulheres.
A gente pode dizer que a monarquia perdeu a sua principal arma.
(Sugestão de recurso visual: uma foto histórica que mostre soldados e manifestantes juntos em uma rua de Petrogrado, simbolizando o momento em que as tropas se voltaram contra o czarismo.)
Sem o apoio dos militares, o poder do czar simplesmente desmoronou.
Nicolau II tentou voltar para a capital,
mas seu trem foi parado no meio do caminho pelos rebeldes.
Cercado e sem ter mais como governar,
ele foi convencido a assinar um papel de abdicação.
A gente não pode esquecer que a própria nobreza já tinha virado as costas para ele por conta daquele escândalo com Rasputin.
O czar passou o trono para seu irmão, o grão-duque Miguel,
mas ele, vendo a bagunça que estava, recusou o cargo.
Foi assim, de forma rápida e quase sem derramamento de sangue,
que o regime de 300 anos da família Romanov chegou ao fim.
A monarquia russa deixou de existir.
A revolução de fevereiro conseguiu o que 1905 apenas ensaiou:
derrubar o czar e abrir as portas para um novo futuro na Rússia.
A questão agora era: quem iria governar o país? E como?
(Sugestão de recurso visual: Uma foto histórica mostrando uma multidão de manifestantes nas ruas de Petrogrado, com soldados no meio, para ilustrar a união entre a população e o exército.)
3. Dois poderes, uma Rússia confusa
Com a queda do czar, a Rússia se viu com dois "governos" ao mesmo tempo,
algo que os historiadores chamam de "duplo poder" ou,
como um deles disse, uma "cacofonia".
De um lado, a Duma (o parlamento que o czar tinha criado lá em 1905),
formou um Governo Provisório.
Esse governo era liderado principalmente pelos mencheviques
e outros grupos mais moderados.
A ideia deles era manter a Rússia na guerra e criar uma república.
Eles achavam que era preciso manter a calma para organizar a bagunça do país.
Do outro lado, os sovietes
(aqueles conselhos de operários e soldados que a gente conheceu em 1905)
continuaram a existir, e se tornaram os verdadeiros centros de poder popular.
Eles controlavam as cidades, os transportes e a produção.
Para eles, o poder pertencia ao povo, não a um governo provisório.
Essa situação de dois poderes vivendo em conflito criou uma enorme instabilidade.
O Governo Provisório e os sovietes tinham ideias completamente diferentes sobre o que fazer com a Rússia.
Um queria continuar a guerra, o outro queria a paz.
Um queria manter a ordem, o outro queria radicalizar as mudanças.
Essa tensão foi o combustível para o próximo passo da revolução,
que a gente vai ver a seguir!