A resposta da esquerda: a ANL e a Intentona Comunista

5 min de leituraHistória

1.A criação da ANL como frente antifascista

Se a extrema-direita brasileira ganhava forma com a Ação Integralista Brasileira, a esquerda não ficou parada.

Em 1935, nasceu a Aliança Nacional Libertadora (ANL),

uma frente ampla que reunia comunistas, antigos tenentes, socialistas, democratas radicais e intelectuais progressistas.

Seu objetivo era claro: enfrentar o fascismo, o autoritarismo de Vargas e promover uma revolução democrática e popular.

A ANL surgiu num contexto de crescente repressão e autoritarismo.

O governo Vargas já dava sinais de que o "provisório" do Governo Provisório poderia se estender indefinidamente.

A censura, o controle sobre os sindicatos, a perseguição à oposição e a repressão aos movimentos sociais estavam cada vez mais evidentes.

Inspirada por experiências de frentes populares na Europa — como na França e na Espanha —,

a ANL pretendia ser uma alternativa ao avanço da extrema-direita.

Sua proposta era ambiciosa:

unir todos os setores contrários ao fascismo, defender os direitos sociais, a soberania nacional e a reforma agrária.

O lema que guiava a organização era poderoso e direto: “Pão, Terra e Liberdade”.

Basicamente uma síntese poética de suas reivindicações eu diria.

A ANL chegou a ter centenas de núcleos espalhados pelo Brasil,

promovendo comícios, panfletagens, campanhas de alfabetização e mobilização popular.

Seu lançamento oficial, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, atraiu cerca de 10 mil pessoas, numa das maiores manifestações políticas da década.

(Isso é porque ainda não viram a passeata dos 100 mil… mas como vocês já estão acostumados ... isso é assunto pra depois!)

(Inserir imagem: multidão no Teatro João Caetano durante o evento de fundação da ANL)

2.O papel de Luís Carlos Prestes e a entrada dos comunistas

A figura central que projetou a ANL nacionalmente foi Luís Carlos Prestes.

Ex-líder da Coluna Prestes e herói popular,

ele retornou ao Brasil clandestinamente em 1935, após anos vivendo no exterior — inclusive em Moscou, onde se aproximou do comunismo e da Internacional Comunista.

Sua adesão à ANL foi estratégica.

Ele foi proclamado "presidente de honra" da organização, o que deu um peso simbólico enorme à frente antifascista.

Mas essa entrada dos comunistas dividiu opiniões.

Muitos aliados civis da ANL temiam que o protagonismo de Prestes e do Partido Comunista do Brasil (PCB) pudesse comprometer o caráter amplo da organização.

Mesmo assim, Prestes era visto como uma esperança por muitos.

Ele tinha carisma, era culto, e representava uma alternativa tanto ao fascismo integralista quanto ao autoritarismo de Vargas.

Ao lado de sua companheira Olga Benário, agente comunista enviada pela Internacional Comunista,

Prestes começou a preparar o terreno para uma insurreição armada.

O plano era ambicioso:

derrubar o governo Vargas e instaurar um regime popular revolucionário,

inspirado nos princípios do comunismo, mas com apoio popular e nacionalista.

(Inserir imagem: fotos de Prestes e Olga Benário com legenda explicando suas trajetórias)

3.Os levantes de 1935 e a repressão

A tensão entre governo e ANL aumentava.

No dia 5 de julho de 1935 — data simbólica dos levantes tenentistas de 1922 e 1924 —,

a ANL publicou um manifesto escrito por Prestes, lido por Carlos Lacerda:

Todo o poder à ANL! Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas!”.

Era o estopim que o governo esperava.

No dia seguinte, Vargas decretou a ilegalidade da ANL.

Mesmo ilegal, o grupo seguiu seus planos.

Em novembro de 1935, três levantes armados foram deflagrados:

Natal (23/11): militares tomaram o 21º Batalhão de Caçadores e dominaram a cidade por quatro dias, sem resistência significativa.

Recife (24/11): sob liderança de Gregório Bezerra, os revoltosos marcharam de Jaboatão ao centro da cidade, enfrentando resistência armada até serem derrotados.

Rio de Janeiro (27/11): o levante começou na Escola de Aviação Militar e no 3º Regimento de Infantaria.

O plano era tomar o Palácio Guanabara e capturar Vargas, mas os rebeldes foram cercados e derrotados após horas de combate.

(Inserir imagem: linha do tempo com os três levantes e seus desfechos)

Os levantes fracassaram, e a repressão foi implacável.

O governo declarou estado de sítio, prendeu milhares de militantes, torturou presos políticos e deu início a uma intensa campanha de caça aos comunistas.

A violência atingiu até simpatizantes e pessoas sem envolvimento direto.

Vargas e o general Góes Monteiro lideraram uma ofensiva repressiva sem precedentes.

Olga Benário foi capturada, deportada grávida para a Alemanha nazista, onde seria assassinada em um campo de extermínio.

Prestes foi preso e passou nove anos encarcerado, parte deles em isolamento.

Outros líderes foram torturados, mortos ou enviados para prisões distantes como a Ilha Grande e Fernando de Noronha.

4.O que os levantes de 1935 revelam sobre o Brasil da época?

O fracasso dos levantes mostrou a fragilidade da esquerda armada,

a ineficiência da Internacional Comunista em entender a realidade brasileira e o erro de cálculo político de seus líderes.

Ao mesmo tempo, expôs a violência do governo Vargas e o uso sistemático da repressão para sufocar a oposição.

O episódio serviu como justificativa para o endurecimento do regime, que levaria ao Estado Novo em 1937.

A “Intentona Comunista” — como Vargas rebatizou os levantes — foi usada como instrumento de propaganda anticomunista por décadas.

O Perigo Vermelho estava lançado.

A esquerda estava definitivamente ilegalizada…

A sociedade tinha medo da “radicalização” da esquerda tal como mostrado nos jornais…

E daqui para frente meu caro estudante, só pra trás.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender A resposta da esquerda: a ANL e a Intentona Comunista. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
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Tirar dúvida com o Junior
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