A resposta da esquerda: a ANL e a Intentona Comunista
1.A criação da ANL como frente antifascista
Se a extrema-direita brasileira ganhava forma com a Ação Integralista Brasileira, a esquerda não ficou parada.
Em 1935, nasceu a Aliança Nacional Libertadora (ANL),
uma frente ampla que reunia comunistas, antigos tenentes, socialistas, democratas radicais e intelectuais progressistas.
Seu objetivo era claro: enfrentar o fascismo, o autoritarismo de Vargas e promover uma revolução democrática e popular.
A ANL surgiu num contexto de crescente repressão e autoritarismo.
O governo Vargas já dava sinais de que o "provisório" do Governo Provisório poderia se estender indefinidamente.
A censura, o controle sobre os sindicatos, a perseguição à oposição e a repressão aos movimentos sociais estavam cada vez mais evidentes.
Inspirada por experiências de frentes populares na Europa — como na França e na Espanha —,
a ANL pretendia ser uma alternativa ao avanço da extrema-direita.
Sua proposta era ambiciosa:
unir todos os setores contrários ao fascismo, defender os direitos sociais, a soberania nacional e a reforma agrária.
O lema que guiava a organização era poderoso e direto: “Pão, Terra e Liberdade”.
Basicamente uma síntese poética de suas reivindicações eu diria.
A ANL chegou a ter centenas de núcleos espalhados pelo Brasil,
promovendo comícios, panfletagens, campanhas de alfabetização e mobilização popular.
Seu lançamento oficial, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, atraiu cerca de 10 mil pessoas, numa das maiores manifestações políticas da década.
(Isso é porque ainda não viram a passeata dos 100 mil… mas como vocês já estão acostumados ... isso é assunto pra depois!)
(Inserir imagem: multidão no Teatro João Caetano durante o evento de fundação da ANL)
2.O papel de Luís Carlos Prestes e a entrada dos comunistas
A figura central que projetou a ANL nacionalmente foi Luís Carlos Prestes.
Ex-líder da Coluna Prestes e herói popular,
ele retornou ao Brasil clandestinamente em 1935, após anos vivendo no exterior — inclusive em Moscou, onde se aproximou do comunismo e da Internacional Comunista.
Sua adesão à ANL foi estratégica.
Ele foi proclamado "presidente de honra" da organização, o que deu um peso simbólico enorme à frente antifascista.
Mas essa entrada dos comunistas dividiu opiniões.
Muitos aliados civis da ANL temiam que o protagonismo de Prestes e do Partido Comunista do Brasil (PCB) pudesse comprometer o caráter amplo da organização.
Mesmo assim, Prestes era visto como uma esperança por muitos.
Ele tinha carisma, era culto, e representava uma alternativa tanto ao fascismo integralista quanto ao autoritarismo de Vargas.
Ao lado de sua companheira Olga Benário, agente comunista enviada pela Internacional Comunista,
Prestes começou a preparar o terreno para uma insurreição armada.
O plano era ambicioso:
derrubar o governo Vargas e instaurar um regime popular revolucionário,
inspirado nos princípios do comunismo, mas com apoio popular e nacionalista.
(Inserir imagem: fotos de Prestes e Olga Benário com legenda explicando suas trajetórias)
3.Os levantes de 1935 e a repressão
A tensão entre governo e ANL aumentava.
No dia 5 de julho de 1935 — data simbólica dos levantes tenentistas de 1922 e 1924 —,
a ANL publicou um manifesto escrito por Prestes, lido por Carlos Lacerda:
“Todo o poder à ANL! Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas!”.
Era o estopim que o governo esperava.
No dia seguinte, Vargas decretou a ilegalidade da ANL.
Mesmo ilegal, o grupo seguiu seus planos.
Em novembro de 1935, três levantes armados foram deflagrados:
Natal (23/11): militares tomaram o 21º Batalhão de Caçadores e dominaram a cidade por quatro dias, sem resistência significativa.
Recife (24/11): sob liderança de Gregório Bezerra, os revoltosos marcharam de Jaboatão ao centro da cidade, enfrentando resistência armada até serem derrotados.
Rio de Janeiro (27/11): o levante começou na Escola de Aviação Militar e no 3º Regimento de Infantaria.
O plano era tomar o Palácio Guanabara e capturar Vargas, mas os rebeldes foram cercados e derrotados após horas de combate.
(Inserir imagem: linha do tempo com os três levantes e seus desfechos)
Os levantes fracassaram, e a repressão foi implacável.
O governo declarou estado de sítio, prendeu milhares de militantes, torturou presos políticos e deu início a uma intensa campanha de caça aos comunistas.
A violência atingiu até simpatizantes e pessoas sem envolvimento direto.
Vargas e o general Góes Monteiro lideraram uma ofensiva repressiva sem precedentes.
Olga Benário foi capturada, deportada grávida para a Alemanha nazista, onde seria assassinada em um campo de extermínio.
Prestes foi preso e passou nove anos encarcerado, parte deles em isolamento.
Outros líderes foram torturados, mortos ou enviados para prisões distantes como a Ilha Grande e Fernando de Noronha.
4.O que os levantes de 1935 revelam sobre o Brasil da época?
O fracasso dos levantes mostrou a fragilidade da esquerda armada,
a ineficiência da Internacional Comunista em entender a realidade brasileira e o erro de cálculo político de seus líderes.
Ao mesmo tempo, expôs a violência do governo Vargas e o uso sistemático da repressão para sufocar a oposição.
O episódio serviu como justificativa para o endurecimento do regime, que levaria ao Estado Novo em 1937.
A “Intentona Comunista” — como Vargas rebatizou os levantes — foi usada como instrumento de propaganda anticomunista por décadas.
O Perigo Vermelho estava lançado.
A esquerda estava definitivamente ilegalizada…
A sociedade tinha medo da “radicalização” da esquerda tal como mostrado nos jornais…
E daqui para frente meu caro estudante, só pra trás.