A Luta Armada e a Repressão aos Guerrilheiros

5 min de leituraHistória

1. Marighella e a guerrilha urbana

Quando as saídas políticas e democráticas pareciam impossíveis, um grupo de jovens militantes decidiu pegar em armas contra a ditadura.

Foi o momento mais dramático da resistência brasileira: a luta armada.

Um dos nomes mais conhecidos desse período é Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN).

Ex-membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Marighella rompeu com o partido por discordar da passividade diante da repressão.

Ele acreditava na guerrilha urbana como forma de enfraquecer o regime.

A ALN realizou uma série de ações ousadas:

expropriações (assaltos a bancos), ataques a alvos militares e o sequestro de autoridades estrangeiras para negociar a libertação de presos políticos.

Marighella foi morto numa emboscada armada pela polícia em São Paulo, em 1969.

Sua morte marcou o início da ofensiva mais violenta contra a esquerda armada.

(Sugestão de recurso visual: retrato de Carlos Marighella e imagens de jornais da época noticiando sua morte)

2. O sequestro do embaixador

Em 1969, um dos eventos mais espetaculares da luta armada foi o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick,

organizado por grupos como a Dissidência Comunista da Guanabara (DI-GB), que depois originaria o MR-8.

A ação exigiu a libertação de 15 presos políticos, incluindo nomes importantes da resistência.

O governo cedeu.

Entre os libertos estava Dilma Rousseff, que militava na VAR-Palmares, organização de esquerda que defendia a luta armada.

Dilma não participou diretamente de ações armadas, mas atuava como estrategista e financiadora de operações.

Ela foi presa em 1970 e torturada por quase um mês.

Você sabia? Sequestros como estratégia de resistência

Durante a ditadura militar, uma das táticas mais ousadas utilizadas pelos grupos armados de oposição foi o sequestro de figuras públicas

— como diplomatas, embaixadores, militares e até empresários —

com o objetivo de negociar a libertação de presos políticos.

Essas ações, planejadas com extrema cautela, buscavam não apenas libertar companheiros detidos,

mas também atrair a atenção internacional para as violações de direitos humanos praticadas pelo regime brasileiro,

que negava a existência de tortura e de perseguição política.

Além de Elbrick, outros sequestros marcaram o período:

  • Giovanni Enrico Bucher, embaixador da Suíça, em 1970.
  • Ehrenfried von Holleben, embaixador da Alemanha Ocidental, também em 1970.
  • O cônsul japonês Nobuo Okuchi, sequestrado em 1970 em São Paulo.

Todos esses sequestros tiveram como desfecho a libertação de militantes presos, que eram enviados ao exílio.

Os guerrilheiros viam essas ações como um meio legítimo de resistência,

diante da impossibilidade de ação política dentro das regras impostas pela ditadura.

Essa prática, embora polêmica, também evidencia a radicalização das estratégias de oposição

que se viam sem alternativas diante de um Estado fechado ao diálogo e armado contra qualquer forma de dissidência.

Resumindo tudo isso em uma frase: Quando possível assistam ao filme O Que é isso, Companheiro?

(Sugestão de recurso visual: linha do tempo dos principais sequestros políticos realizados pelas organizações armadas)

3. Carlos Lamarca e a guerrilha rural

Se Marighella acreditava na guerrilha urbana, Carlos Lamarca, um ex-capitão do Exército, apostava na luta armada no campo.

Ele desertou levando um arsenal do quartel e se uniu aos guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Lamarca sonhava em transformar o interior do Brasil em uma base de resistência,

mas foi localizado e morto em 1971, na Bahia.

Sua morte selou o fracasso da ideia de foco guerrilheiro rural como no modelo cubano.

(Sugestão de recurso visual: mapa do percurso de Carlos Lamarca e locais de suas ações guerrilheiras)

4. A Guerrilha do Araguaia

A mais organizada tentativa de guerrilha rural foi a do Araguaia,

liderada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Aconteceu entre 1972 e 1974, no sul do Pará.

Mais de 70 guerrilheiros tentaram mobilizar camponeses e formar uma base revolucionária.

O Exército respondeu com brutalidade: enviou 4 mil homens e adotou a política de "não fazer prisioneiros".

A Guerrilha do Araguaia terminou em massacre.

Muitos guerrilheiros desapareceram sem deixar vestígios.

Até hoje, o Estado brasileiro é cobrado pela verdade e localização dos corpos.

O Exército montou bases clandestinas de tortura e assassinato.

Há denúncias de uso de técnicas de esquartejamento, cremação de corpos em fogueiras de pneus e destruição de provas, como remoção de digitais e arcadas dentárias.

Foi um verdadeiro laboratório de extermínio político.

(Sugestão de recurso visual: mapa da região do Bico do Papagaio com os locais de atuação da Guerrilha do Araguaia)

5. A máquina repressiva em ação

O combate à luta armada serviu de justificativa para a consolidação da máquina repressiva.

As ações das Forças Armadas foram acompanhadas por centros de repressão como o DOI-CODI,

que interrogavam e torturavam os prisioneiros antes de eliminar fisicamente os militantes.

O uso da tortura como técnica de interrogatório era sistemático.

Diversos militantes foram desaparecidos, como Sônia Maria de Moraes Angel Jones, militante da ALN, assassinada em 1973 após sofrer torturas no DOI-CODI.

Eduardo Collen Leite, conhecido como Bacuri, teve o corpo devolvido aos familiares com sinais de espancamento brutal.

Muitos outros nem chegaram a ter os corpos encontrados.

(Sugestão de recurso visual: linha do tempo das principais operações militares contra a guerrilha e fotografias dos militantes desaparecidos)

Momento Reflexão: Heroísmo ou tragédia?

A luta armada é um dos temas mais polêmicos da história brasileira.

Para uns, os guerrilheiros são heróis que enfrentaram um regime brutal.

Para outros, tomaram um caminho equivocado e ineficaz.

Mas uma coisa é certa:

a violência do Estado foi desproporcional, covarde e sistemática.

E isso nunca pode ser relativizado.

O Estado, que deveria proteger a população, se transformou em seu algoz.

A repressão não escolhia apenas quem pegava em armas — ela atingia familiares, amigos, estudantes e até religiosos.

Lutar por memória, por verdade e por justiça é o mínimo que devemos a quem resistiu nos tempos mais sombrios da nossa história.


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