A Guerra dos Farrapos (1835-1845)
1. Contexto econômico e político do Sul do Brasil
Vamos dar uma olhada agora no extremo sul do Brasil,
uma região que sempre teve uma história um pouco diferente do restante do país.
Durante o período regencial, o Rio Grande do Sul era marcado por uma economia forte baseada na criação de gado e na produção de charque (carne seca salgada),
muito usado como alimento de base para os escravizados em outras partes do Brasil.
Apesar dessa importância econômica, a região se sentia desprestigiada pelo governo central.
Nenhuma surpresa até aqui né…
Mas os impostos altos sobre o charque e a presença constante de oficiais portugueses nos cargos mais altos do Império geravam muita insatisfação.
Some a isso uma identidade regional muito forte e o desejo de maior autonomia,
e temos o caldo perfeito para a eclosão de uma revolta.
2. Reivindicações dos estancieiros e formação do Partido Farroupilha
Os estancieiros — donos das grandes fazendas de gado — foram os principais articuladores da revolta.
Eles queriam mais autonomia para a província, menos impostos e um governo mais atento às necessidades locais.
Em 1832, eles fundaram o Partido Farroupilha, que reunia estancieiros, militares locais, abolicionistas e até alguns escravizados que buscavam liberdade.
O nome “farrapos” era inicialmente um apelido pejorativo, fazendo referência às roupas esfarrapadas dos revoltosos.
Mas o grupo acabou adotando o termo com orgulho, transformando o que era ofensa em identidade política.
3. Proclamação da República Rio-Grandense e participação de Garibaldi e Anita
A revolta começou oficialmente em 20 de setembro de 1835.
Os farrapos tomaram Porto Alegre e, em 1836, proclamaram a República Rio-Grandense, com capital em Piratini e Bento Gonçalves como presidente.
Apesar de declararem a independência, mantinham certos elementos do regime imperial, como o voto censitário e o uso de mão de obra escravizada.
Entre os personagens mais famosos da revolta estão o italiano Giuseppe Garibaldi e sua companheira Anita.
Garibaldi trouxe experiência de outros movimentos revolucionários e teve papel fundamental na tomada da província de Santa Catarina,
onde arrastou dois navios por terra até o rio Capivari — um feito que virou lenda.
Anita, por sua vez, lutou ao seu lado e virou símbolo da bravura farroupilha.
Você sabia? Temos um italiano!
Antes de lutar na Revolução Farroupilha,
Giuseppe Garibaldi já tinha se envolvido em atividades revolucionárias na Itália.
Ele participou da “Jovem Itália”, um movimento nacionalista liderado por Giuseppe Mazzini, que defendia a unificação italiana e a formação de uma república.
Por conta dessas atividades, Garibaldi foi condenado à morte e fugiu para a América do Sul, onde continuou sua luta por liberdade e justiça junto à Anita.
4. Conflito prolongado e acordo final: a "paz honrosa"
A guerra foi longa, desgastante e cheia de reviravoltas.
Os farrapos ganharam batalhas importantes, mas também sofreram derrotas.
Com o tempo, o Império concentrou esforços para derrotar a revolta, principalmente após 1840, quando outras regiões já estavam pacificadas.
Em 1845 (sim, essa guerra só acabou no segundo reinado), com a mediação do barão de Caxias, que ganhou fama como o "pacificador", foi assinado o Tratado de Poncho Verde.
O acordo previa anistia aos revoltosos, incorporação de seus oficiais ao Exército imperial, pagamento das dívidas da guerra e,
o mais simbólico, a liberdade para os escravizados que haviam lutado na revolta.
Por tudo isso, os farrapos chamaram esse acordo de “paz honrosa”.
Momento Reflexão: 10 anos?
Por que será que a Guerra dos Farrapos durou tanto tempo?
Um dos principais motivos está no fato de que, diferente de outras revoltas, ela teve forte apoio da elite estancieira do Sul.
Esses grandes proprietários de terra tinham recursos, influência e interesses bem definidos:
queriam mais autonomia e menos impostos.
Isso mostra como, quando quem se rebela tem poder, a resistência dura mais — e até ganha negociações melhores no final.
Já pensou no contraste com revoltas populares, que foram esmagadas com rapidez e violência?
Como a dos malês?



