A Expansão Americana e a Guerra Civil
1. A Expansão e o Indian Removal Act
Quando a gente pensa nos Estados Unidos, a gente pensa em um país enorme, né?
Mas nem sempre foi assim.
No início do século XIX, eles eram bem menores, com a galera concentrada na costa leste.
A gente vai ver como eles cresceram de um jeito tão impressionante que causou uma das guerras mais sangrentas de sua história.
A resposta é o expansionismo.
O expansionismo é a ideia de que o país tinha uma missão de dominar todo o continente americano, do Atlântico ao Pacífico.
Essa crença já era forte na elite americana no início do século, mas só foi batizada de Destino Manifesto em 1845.
Pois bem, essa ideia foi a desculpa perfeita para o governo americano tomar as terras dos povos indígenas.
Em 1830, foi aprovada uma lei chamada Indian Removal Act, que obrigava os indígenas a largarem suas terras e se mudarem para o oeste do rio Mississippi.
Essa viagem forçada ficou conhecida como a "Trilha das Lágrimas" no caso dos Cherokee,
mas outros povos indígenas também foram forçados a fazer marchas semelhantes, com milhares de mortos de fome, frio e doenças.
O governo americano não respeitou os acordos e as vidas dos indígenas, mostrando o lado mais violento do expansionismo.
Além disso, os Estados Unidos também se expandiram de forma mais pacífica, como a Compra da Louisiana, em 1803, e a anexação da Flórida, em 1819.
Mas não foi só isso. Os americanos também se expandiram através de guerras.
A Guerra contra o México (1846-1848), por exemplo, foi motivada pela anexação do Texas.
No final, os Estados Unidos venceram e tomaram mais de 40% do território mexicano, incluindo a Califórnia e o Novo México.
Mas vamos ver esse assunto em seguida.
2. A Guerra contra o México (1846–1848)
A expansão americana também se deu por meio de uma guerra brutal.
Tudo começou com o Texas.
Essa região era parte do México, mas muitos colonos vindos dos Estados Unidos se instalaram lá desde o começo do século XIX.
Com o tempo, esses colonos (chamados de anglo-settlers) entraram em choque com o governo mexicano, especialmente porque queriam manter a escravidão,
algo que o México já havia abolido.
Em 1836, o Texas declarou independência do México e criou a chamada República do Texas.
O México nunca reconheceu essa independência.
Mas em 1845, os Estados Unidos decidiram anexar o Texas, o que foi visto pelos mexicanos como uma agressão direta.
E foi quando a tensão virou guerra.
Depois de anexar o Texas em 1845 — território que antes pertencia ao México — os Estados Unidos entraram em conflito direto com o país vizinho.
A guerra começou em 1846, quando tropas americanas cruzaram a fronteira disputada entre os rios Nueces e Grande (Rio Grande),
episódio que serviu de estopim para o conflito.
O presidente James K. Polk, defensor do Destino Manifesto, usou a ideia de que os EUA tinham uma missão providencial de expandir-se até o Pacífico como justificativa para a invasão.
O exército americano, mais bem armado, avançou rapidamente e chegou a ocupar a Cidade do México em 1847.
A derrota mexicana levou ao Tratado de Guadalupe Hidalgo (1848).
Por ele, o México reconheceu a perda do Texas e cedeu vastos territórios aos Estados Unidos:
Califórnia, Nevada, Utah, Novo México, Arizona e partes do Colorado e Wyoming, em troca de 15 milhões de dólares.
Moral da história? O país cresceu de forma gigantesca, mas à base de guerra, violência e espoliação de terras.
3. Escravidão: Um Problema que Dividiu o País
Essa expansão gerou uma briga enorme entre os estados do Norte e do Sul: os novos territórios seriam escravistas ou não?
A gente já sabe que o Norte era industrializado e o Sul vivia da agricultura, com a escravidão sendo a base de sua economia.
O Norte precisava de trabalhadores com dinheiro para comprar seus produtos, e o Sul precisava de escravos para produzir algodão.
Para tentar manter a paz, foram feitos alguns acordos.
O Compromisso de Missouri (1820) proibiu a escravidão em parte dos novos territórios.
Mas, em 1854, uma nova lei, a Lei Kansas-Nebraska, revogou esse compromisso.
Ela dizia que cada território poderia decidir se teria escravidão ou não, o que gerou uma guerra civil em miniatura.
E as brigas e confrontos violentos entre abolicionistas e escravistas
no Kansas ficaram conhecidas como "Bleeding Kansas" (Kansas Sangrento).
4. A Guerra Civil Americana (1861-1865)
A briga entre os estados do Norte e do Sul sobre a escravidão foi crescendo,
até que o país rachou em dois.
O Norte, que era industrializado e defendia a abolição, e o Sul, que era agrário e escravista.
A causa principal da guerra não foi só a moralidade da escravidão.
A questão era econômica:
O Norte industrial:
Eles precisavam de trabalhadores livres para comprar os produtos das suas fábricas.
A escravidão, com seu sistema de trabalho sem salário, era um obstáculo para o crescimento do capitalismo industrial.
O Sul agrário:
A economia do Sul se baseava na produção de algodão e tabaco, e dependia totalmente do trabalho escravo para ser lucrativa.
Eles viam o fim da escravidão como o fim do seu modo de vida e da sua economia.
Com o crescimento para o oeste, o debate sobre se os novos territórios teriam escravidão ou não se tornou insustentável.
A eleição de Abraham Lincoln, em 1860, que era contra a expansão da escravidão, foi a gota d'água.
Os estados do Sul se separaram e formaram a Confederação.
Em 1861, a guerra começou.
Foi a guerra mais sangrenta da história dos Estados Unidos.
Mais de 600 mil pessoas morreram.
Mas, no final, o Norte venceu.
Em 1865, a escravidão foi abolida, a Confederação se dissolveu e o país foi reunificado.
A vitória do Norte garantiu que a industrialização e o capitalismo se tornassem o modelo econômico dominante em todo o país.
A Guerra Civil Americana foi a prova de que, para os Estados Unidos, a união e a liberdade não eram para todos.
O país se expandiu e se unificou, mas o fez com a remoção dos povos indígenas e com uma guerra sangrenta para abolir a escravidão.
A luta pela liberdade e pela igualdade ainda não tinha acabado,
e é isso que a gente vai ver no próximo capítulo.


