A corte chega ao Rio de Janeiro

3 min de leituraHistória

1. A corte desce no Rio: uma cidade em obras (e sob pressão)

Imagina só o que é acordar com um aviso dizendo que a família real portuguesa está prestes a desembarcar na sua cidade.

Pois foi isso que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1808.

A cidade, que tinha cara de vila grande, cheia de ruas de terra batida e casas humildes, virou, de uma hora pra outra,

sede do Império português.

Isso significava uma reviravolta na vida de todo mundo.

As igrejas tocaram os sinos, foguetes explodiram e os moradores se apertaram para ver de perto o príncipe regente, Dom João VI, e sua corte.

Mas por trás das festas e solenidades, começava uma pressão enorme sobre a cidade.

Com a chegada da corte, o Rio virou um canteiro de obras.

Não só estruturais, mas como supraestruturais.

O conde dos Arcos, que era o responsável por organizar a cidade, teve que agir rápido.

Começaram as reformas no Paço dos Vice-Reis para acomodar d. João,

e a cidade teve que se adaptar às exigências da nobreza.

A famosa "Lei das Aposentadorias" obrigava os donos dos melhores prédios a cederem suas casas para os fidalgos recém-chegados.

Era só aparecer a sigla PR na parede e pronto: significava "Príncipe Regente".

Mas o povo dizia mesmo que era "Ponham-se na Rua".

2. A política de nobreza tropical: títulos, condecorações e privilégios

Para segurar a galera local e acalmar os portugueses que já estavam no Brasil, d. João distribuiu muitos títulos de nobreza.

Em poucos anos, surgiram duques, marqueses, viscondes e barões a dar com pau.

Também foram criadas ordens honoríficas, como a Ordem da Espada e a Ordem de Cristo.

Isso tudo servia para criar uma nova elite fiel ao governo.

Era um jeitinho bem joanino de ganhar aliados.

Para manter a estrutura da corte e da nova capital do Império, foi criado em 1808 o Banco do Brasil.

A intenção era financiar o comércio e dar suporte à economia.

Mas, na prática, o banco servia para bancar os gastos da família real.

Ao mesmo tempo, d. João trouxe toda a burocracia portuguesa:

tribunais, conselhos e um batalhão de servidores que, muitas vezes, não tinham função definida.

A cidade encheu de “parasitas” que viviam às custas do governo.

3. Quem furta pouco é ladrão...: corrupção e os custos da corte

Com tanta gente nova, cargos inventados e pouca fiscalização, a corrupção virou tema popular.

Um ditado da época ironizava:

"Quem furta pouco é ladrão

Quem furta muito é barão

Quem mais furta e esconde

Passa de barão a visconde"

E não era exagero.

A corte vivia com altos gastos, enquanto o povo via os impostos aumentarem e a cidade lotar.

A vinda da corte teve seus benefícios, mas o preço foi alto para os habitantes locais.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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