A Conquista do Sul e a Conclusão da Unificação
1. Garibaldi e a conquista do sul
A gente viu que o Conde de Cavour, com sua estratégia, conseguiu unificar o norte da Itália. Mas e o sul?
O sul era um mundo à parte, com seu próprio líder,
e a unificação só estaria completa se as duas partes se juntassem.
E é aqui que entra um dos personagens mais famosos da história:
Giuseppe Garibaldi.
Pensa no Garibaldi como um verdadeiro herói de aventura, com barba, carisma e que lutou por liberdade em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil.
Ele liderou um grupo de voluntários, conhecidos como os "Camisas Vermelhas",
que eramleais a ele.
Garibaldi era um republicano fervoroso,
ou seja, ele queria que a Itália fosse uma república, sem reis.
Em 1860, sem o apoio oficial do governo do Piemonte,
Garibaldi e seus mais de mil voluntários (a famosa Expedição dos Mil)
embarcaram em uma missão quase suicida:
conquistar o sul da Itália, que era o Reino das Duas Sicílias.
A galera do sul não gostava do rei deles, então Garibaldi foi recebido como um libertador.
Em uma campanha super-rápida e surpreendente,
ele e os Camisas Vermelhas derrotaram o exército do rei
e conquistaram a Sicília e depois Nápoles.
A unificação estava agora em um novo patamar,
com o norte sob o comando da monarquia do Piemonte
e o sul sob o comando de um revolucionário republicano.
2. O encontro entre a monarquia e a república
Com a vitória de Garibaldi, a Itália tinha dois caminhos:
ou se tornaria uma república, como ele queria,
ou uma monarquia, como Cavour planejava.
A tensão era enorme!
Cavour, para evitar que Garibaldi marchasse até Roma e
causasse um conflito com o Papa e a França,
enviou tropas piemontesas para o sul.
Foi então que aconteceu um dos momentos mais marcantes da história da unificação:
Garibaldi e Vítor Emanuel II se encontraram.
Garibaldi, mesmo sendo republicano, fez a escolha mais patriótica possível.
Ele sabia que a única maneira de a Itália se tornar um país
era se unindo sob a liderança do Piemonte.
Então, ele entregou todas as suas conquistas a Vítor Emanuel II.
Depois de fazer isso, ele recusou qualquer título ou recompensa
e se retirou da vida pública, tornando-se um herói nacional ainda maior.
Em março de 1861, o Reino da Itália foi oficialmente proclamado,
mas a unificação ainda não estava completa.
Faltavam duas partes importantíssimas: Veneza e os Estados Pontifícios.
3. As últimas peças do quebra-cabeça: Veneza e Roma
O resto da unificação aconteceu de um jeito mais tranquilo,
graças a outras guerras na Europa.
A primeira "peça" que faltava era Veneza, que ainda estava sob o controle da Áustria.
A chance da Itália veio em 1866, quando a Áustria entrou em guerra contra a Prússia
(a Guerra Austro-Prussiana).
A Itália se aliou à Prússia.
Mesmo com uma participação militar não tão forte,
a Itália se beneficiou da derrota da Áustria e,
como recompensa, a Áustria cedeu Veneza para o novo Reino da Itália.
A última e mais importante parte era a capital.
A galera da unificação queria que a capital fosse Roma,
que ficava nos Estados Pontifícios.
O problema? O Papa era contra a unificação e era protegido pelas tropas francesas de Napoleão III.
A oportunidade de ouro apareceu em 1870,
quando a França entrou em guerra contra a Prússia (Guerra Franco-Prussiana).
Napoleão III precisou retirar suas tropas de Roma para lutar.
A Itália aproveitou a chance, invadiu e anexou os Estados Pontifícios,
transformando Roma na capital.
(Sugestão de recurso visual: Um infográfico em forma de "Antes e Depois" ou uma linha do tempo mostrando as etapas finais da unificação: a anexação de Veneza em 1866 e a de Roma em 1870. Isso ajuda a visualizar a ordem dos eventos.)
4. O conflito com o Papa: a Questão Romana
O Papa Pio IX não gostou nada dessa invasão.
Ele se declarou "prisioneiro no Vaticano",
se recusou a reconhecer o novo Reino da Itália
e proibiu os católicos de participarem da política do país.
Esse conflito, que ficou conhecido como "Questão Romana", durou quase 60 anos!
A solução só veio em 1929, com o Tratado de Latrão.
Benito Mussolini, que era o ditador da Itália na época,
fez um acordo com a Igreja Católica.
Ele reconheceu o Vaticano como um país independente (o menor do mundo!)
e pagou uma indenização à Igreja.
Em troca, a Igreja reconheceu o Reino da Itália.
E assim, a Questão Romana foi finalmente resolvida,
concluindo a unificação política de vez.
