A Conquista do Sul e a Conclusão da Unificação

4 min de leituraHistória

1. Garibaldi e a conquista do sul

A gente viu que o Conde de Cavour, com sua estratégia, conseguiu unificar o norte da Itália. Mas e o sul?

O sul era um mundo à parte, com seu próprio líder,

e a unificação só estaria completa se as duas partes se juntassem.

E é aqui que entra um dos personagens mais famosos da história:

Giuseppe Garibaldi.

Pensa no Garibaldi como um verdadeiro herói de aventura, com barba, carisma e que lutou por liberdade em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Ele liderou um grupo de voluntários, conhecidos como os "Camisas Vermelhas",

que eramleais a ele.

Garibaldi era um republicano fervoroso,

ou seja, ele queria que a Itália fosse uma república, sem reis.

Em 1860, sem o apoio oficial do governo do Piemonte,

Garibaldi e seus mais de mil voluntários (a famosa Expedição dos Mil)

embarcaram em uma missão quase suicida:

conquistar o sul da Itália, que era o Reino das Duas Sicílias.

A galera do sul não gostava do rei deles, então Garibaldi foi recebido como um libertador.

Em uma campanha super-rápida e surpreendente,

ele e os Camisas Vermelhas derrotaram o exército do rei

e conquistaram a Sicília e depois Nápoles.

A unificação estava agora em um novo patamar,

com o norte sob o comando da monarquia do Piemonte

e o sul sob o comando de um revolucionário republicano.

2. O encontro entre a monarquia e a república

Com a vitória de Garibaldi, a Itália tinha dois caminhos:

ou se tornaria uma república, como ele queria,

ou uma monarquia, como Cavour planejava.

A tensão era enorme!

Cavour, para evitar que Garibaldi marchasse até Roma e

causasse um conflito com o Papa e a França,

enviou tropas piemontesas para o sul.

Foi então que aconteceu um dos momentos mais marcantes da história da unificação:

Garibaldi e Vítor Emanuel II se encontraram.

Garibaldi, mesmo sendo republicano, fez a escolha mais patriótica possível.

Ele sabia que a única maneira de a Itália se tornar um país

era se unindo sob a liderança do Piemonte.

Então, ele entregou todas as suas conquistas a Vítor Emanuel II.

Depois de fazer isso, ele recusou qualquer título ou recompensa

e se retirou da vida pública, tornando-se um herói nacional ainda maior.

Em março de 1861, o Reino da Itália foi oficialmente proclamado,

mas a unificação ainda não estava completa.

Faltavam duas partes importantíssimas: Veneza e os Estados Pontifícios.

3. As últimas peças do quebra-cabeça: Veneza e Roma

O resto da unificação aconteceu de um jeito mais tranquilo,

graças a outras guerras na Europa.

A primeira "peça" que faltava era Veneza, que ainda estava sob o controle da Áustria.

A chance da Itália veio em 1866, quando a Áustria entrou em guerra contra a Prússia

(a Guerra Austro-Prussiana).

A Itália se aliou à Prússia.

Mesmo com uma participação militar não tão forte,

a Itália se beneficiou da derrota da Áustria e,

como recompensa, a Áustria cedeu Veneza para o novo Reino da Itália.

A última e mais importante parte era a capital.

A galera da unificação queria que a capital fosse Roma,

que ficava nos Estados Pontifícios.

O problema? O Papa era contra a unificação e era protegido pelas tropas francesas de Napoleão III.

A oportunidade de ouro apareceu em 1870,

quando a França entrou em guerra contra a Prússia (Guerra Franco-Prussiana).

Napoleão III precisou retirar suas tropas de Roma para lutar.

A Itália aproveitou a chance, invadiu e anexou os Estados Pontifícios,

transformando Roma na capital.

(Sugestão de recurso visual: Um infográfico em forma de "Antes e Depois" ou uma linha do tempo mostrando as etapas finais da unificação: a anexação de Veneza em 1866 e a de Roma em 1870. Isso ajuda a visualizar a ordem dos eventos.)

4. O conflito com o Papa: a Questão Romana

O Papa Pio IX não gostou nada dessa invasão.

Ele se declarou "prisioneiro no Vaticano",

se recusou a reconhecer o novo Reino da Itália

e proibiu os católicos de participarem da política do país.

Esse conflito, que ficou conhecido como "Questão Romana", durou quase 60 anos!

A solução só veio em 1929, com o Tratado de Latrão.

Benito Mussolini, que era o ditador da Itália na época,

fez um acordo com a Igreja Católica.

Ele reconheceu o Vaticano como um país independente (o menor do mundo!)

e pagou uma indenização à Igreja.

Em troca, a Igreja reconheceu o Reino da Itália.

E assim, a Questão Romana foi finalmente resolvida,

concluindo a unificação política de vez.


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