A Cisma do Ocidente
1. Conflitos com reis e a questão de Avignon
Sim, já teve a do Oriente e agora é a do Ocidente.
No final do século XIII, o papado enfrentava crescente tensão com os monarcas europeus,
especialmente com o rei francês Filipe IV, que buscava controlar o poder e os recursos da Igreja.
O auge desse conflito foi a transferência da sede papal de Roma para Avignon, em 1309, inaugurando o chamado "Cativeiro de Avignon" (1309–1377).
Nesse período, sete papas franceses governaram a Igreja sob forte influência da monarquia francesa,
o que gerou críticas à autoridade espiritual e ao suposto luxo e corrupção do clero.
2. Duplo papado e Concílio de Constança
Com o retorno da sede papal a Roma, em 1377, e a posterior eleição de um novo papa, surgiu um impasse:
Dois papas passaram a reivindicar a autoridade suprema, um em Roma e outro em Avignon.
Esse episódio ficou conhecido como o Cisma do Ocidente (1378–1417), provocando grande instabilidade religiosa e política, com diferentes reinos apoiando papas distintos.
A crise só foi solucionada no Concílio de Constança (1414–1418), que depôs os papas concorrentes e elegeu Martinho V, restaurando a unidade formal da Igreja.
No entanto, a credibilidade papal já havia sido profundamente abalada.
3. Heresias e embrião da Reforma Protestante
A crise de legitimidade da Igreja abriu espaço para o florescimento de movimentos considerados heréticos, como os valdenses e os cátaros,
que criticavam a riqueza da Igreja e propunham uma volta ao cristianismo primitivo.
No século XIV, pensadores como John Wycliffe, na Inglaterra, e Jan Hus, na Boêmia,
questionaram a autoridade papal, a venda de indulgências e defenderam o acesso direto às Escrituras.
A execução de Jan Hus, em 1415, gerou revoltas na Boêmia e antecipou, em muitos aspectos, as ideias da futura Reforma Protestante, iniciada por Lutero no século XVI.
Assim, a crise e os conflitos internos da Igreja no final da Idade Média
foram decisivos para o surgimento de novas formas de religiosidade no Ocidente.


