A chegada dos nazistas ao poder

10 min de leituraHistória

1. Hindenburg, Papen e Schleicher: alianças perigosas

Não foi com um golpe militar, nem com tanques nas ruas, que o Partido Nazista chegou ao poder.

A ascensão de Hitler foi cheia de acordos, alianças políticas e brechas institucionais.

Esse processo mostra que, muitas vezes, regimes autoritários se instalam usando as próprias regras da democracia contra ela.

E para entender isso bem, a gente precisa olhar com atenção para alguns nomes-chave dessa história.

1.1 Paul von Hindenburg

Hindenburg era um veterano da Primeira Guerra Mundial e símbolo do conservadorismo alemão.

Ele foi eleito presidente da República de Weimar em 1925, reeleito em 1932 e,

durante esse período, exerceu forte influência sobre a política do país.

Mesmo sem entusiasmo pela democracia parlamentar,

Hindenburg acreditava que sua função era preservar a ordem e os valores tradicionais da Alemanha.

Em 1932, ele relutou em nomear Hitler como chanceler,

apesar da pressão política e da popularidade do Partido Nazista.

Mas, pressionado pelas elites conservadoras e pelas circunstâncias,

acabou cedendo em janeiro de 1933.

Sua assinatura foi essencial para dar aparência legal ao novo governo — e isso foi decisivo para o avanço do regime.

Você sabia? Esse cabo austríaco? Nunca!

Antes de Hitler ser nomeado chanceler da Alemanha em 1933,

ele já estava tentando esse cargo havia um tempo.

Depois da crise econômica causada pela quebra da Bolsa de 1929, o Partido Nazista cresceu rápido e se tornou uma das maiores forças políticas do país.

Só que, mesmo com toda essa força nas urnas, o presidente Paul von Hindenburg não queria nem saber de nomear Hitler como chanceler.

Achava ele radical demais, instável, barulhento.

Havia uma resistência enorme à ideia de dar a Hitler um cargo de tamanha importância.

E é aí que entra a tal frase marcante de Hindenburg.

Quando sugeriram que ele nomeasse Hitler como chanceler, a resposta foi algo como:

"Esse cabo austríaco? Nunca!"

(Em alemão: “Dieser böhmische Gefreite? Niemals!” — "Esse cabo da Boêmia? Jamais!")

A ironia?

Bem… vocês já sabem.

Pressionado por setores conservadores que achavam que poderiam "controlar Hitler", Hindenburg cedeu.

Entre eles, Franz von Papen, ex-chanceler e figura-chave nos bastidores da política alemã, que acreditava que Hitler seria útil como um fantoche.

1.2 Franz von Papen

Papen era um político católico, monarquista e aristocrata.

Foi nomeado chanceler por Hindenburg em junho de 1932,

mesmo sem apoio popular ou parlamentar.

Seu governo foi impopular e durou poucos meses.

Em dezembro, foi substituído por Kurt von Schleicher, com quem tinha uma rivalidade política intensa.

O que chega a ser engraçado, pois quem indicou Pappen para o cargo de chanceler foi Schleicher.

Mas quem o tirou também…

Em vez de aceitar a derrota, Papen tramou sua volta ao poder de uma forma arriscada: se aliou a Hitler.

Propôs a Hindenburg que nomeasse Hitler como chanceler, com a promessa de que ele, Papen, atuaria como vice e manteria o controle dos ministros.

Acreditava que poderia “domar” Hitler e usá-lo como fachada.

Essa manobra foi aceita, e em 30 de janeiro de 1933,

Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha.

Papen dizia que, em poucos meses, Hitler estaria "gritando por ajuda".

Mas foi o contrário: em poucas semanas, era o país inteiro que estaria nas mãos de Hitler.

(inserir aqui uma linha do tempo com os cargos de Papen: chanceler em junho de 1932, deposto em dezembro, volta como vice em janeiro de 1933)

1.3 Kurt von Schleicher

Schleicher era general do Exército e conselheiro influente de Hindenburg.

Tentou articular um governo mais moderado, buscando apoio de setores trabalhistas e militares.

Tornou-se chanceler em dezembro de 1932, depois da queda de Papen, mas encontrou grande resistência.

Sem apoio no parlamento, Schleicher foi forçado a renunciar em 28 de janeiro de 1933.

Dois dias depois, Hitler assumia o cargo que ele havia deixado.

Schleicher ainda tentou se manter ativo politicamente, mas acabou sendo visto como ameaça pelo novo regime.

Durante a Noite das Facas Longas, em junho de 1934,

Schleicher foi assassinado a mando de Hitler, junto com sua esposa.

Seu nome se tornou mais um entre os muitos eliminados no processo de consolidação do poder nazista.

(*inserir aqui um box lateral: "Linha do tempo da crise de 1932: Papen → Schleicher → Hitler")

Você sabia? A Terceira Via

No curtíssimo intervalo de tempo que Schleicher esteve no cargo de chanceler, ele tentou uma jogada ousada:

reorganizar o governo alemão numa espécie de “terceira via”, tentando salvar a frágil democracia alemã... e barrar a ascensão do extremismo.

Schleicher acreditava que o caminho pra tirar a Alemanha da crise não era se jogar nos braços da extrema-direita (como Hitler queria),

nem insistir numa república liberal enfraquecida.

Ele pensava numa solução que unisse setores moderados do Exército, sindicalistas e social-democratas.

Ou seja, uma tentativa de formar um governo “de conciliação nacional”, com base no diálogo entre opostos.

Ambicioso? Sem dúvida.

Mas talvez fosse a única chance real de conter o crescimento nazista antes que ele virasse uma avalanche.

E por que dizem que ele poderia ter mudado o rumo da história?

Porque Schleicher não via Hitler como confiável — nem como alguém que deveria ter espaço no governo.

Pelo contrário: ele considerava Hitler um risco.

Várias vezes Schleicher discutiu com Hitler as oportunidades de uma aliança política,

mas nunca com a intenção de dar-lhe poder, e sim de controlá-lo.

E por isso mesmo, foi alvo de conspirações.

Franz von Papen (aquele mesmo que acreditava que podia “controlar” Hitler) articulou com os nazistas

e convenceu o presidente Hindenburg a demitir Schleicher e nomear Hitler como chanceler.

Um dos maiores erros políticos do século XX.

Resultado? Schleicher foi descartado, e semanas depois, Hitler estava no poder.

E quando Hitler consolidou sua ditadura, Schleicher foi assassinado a sangue frio — junto com sua esposa — a mando do novo regime.

Porque quem tenta impedir um autoritário, cedo ou tarde, vira alvo dele.

Então sim, há quem diga: “Se Schleicher tivesse tido tempo e apoio pra consolidar sua proposta de governo, talvez a Alemanha não tivesse mergulhado no abismo nazista.”

É impossível afirmar com certeza.

Mas o que dá pra dizer é que, naquele momento delicadíssimo,

ele foi uma das últimas barreiras entre a democracia alemã — já enfraquecida — e a ditadura totalitária que viria logo depois.

A História, às vezes, é feita desses quase.

Schleicher foi um deles.

2. Hans Litten: a resistência através do direito

Nem todo mundo assistiu passivamente à ascensão de Hitler.

Um nome pouco conhecido, mas extremamente importante, é o do advogado Hans Litten.

Em 1931, ele teve a coragem de convocar Hitler para testemunhar em um julgamento em que membros da SA estavam envolvidos em ataques violentos.

Litten fez perguntas afiadas,

expôs contradições e mostrou ao tribunal (e ao país) o lado brutal do partido nazista.

Hitler saiu humilhado daquele julgamento e nunca perdoou Litten por isso.

Quando os nazistas chegaram ao poder,

Hans Litten foi um dos primeiros a ser preso.

Foi torturado e transferido entre vários campos de concentração.

Em 1938, morreu após anos de abuso.

Mas os registros desse julgamento sobreviveram

e anos depois, foram usados como prova nos julgamentos de Nuremberg,

revelando que o projeto nazista de dominação e violência não foi improvisado durante a guerra, e sim premeditado desde antes.

Seu caso é um lembrete doloroso,

mas essencial, de que resistência também se faz com palavras, coragem e firmeza diante da injustiça.

(inserir aqui um box: "Hans Litten, o advogado que enfrentou Hitler em tribunal" com uma pequena biografia resumida)

3. O apoio popular nas eleições

Ao contrário do que muitos pensam, Hitler não foi "imposto" ao povo alemão — ele foi eleito dentro de um sistema democrático,

ainda que o processo tenha envolvido alianças e manipulações.

O Partido Nazista começou a ganhar votos nas eleições legislativas a partir de 1930, crescendo rapidamente com o agravamento da crise econômica.

Em 1932, Hitler disputou a presidência contra Hindenburg e perdeu.

Mas, nas eleições parlamentares do mesmo ano,

o partido nazista se tornou o maior do Reichstag (parlamento alemão).

Esse apoio popular foi usado como argumento para colocá-lo no cargo de chanceler em janeiro de 1933, como já sabemos.

Vale lembrar que nem todos os que votaram em Hitler eram fanáticos.

Muitos apenas viam nele uma solução para a crise,

o desemprego e o medo do comunismo.

Mas a partir desse voto, ele começou a desmontar a democracia alemã por dentro.

(inserir aqui um gráfico com os resultados eleitorais do Partido Nazista entre 1928 e 1932)

4. O incêndio do Reichstag e a eliminação das liberdades

Poucas semanas depois de assumir o cargo, Hitler ganhou a desculpa perfeita para acelerar seus planos: o Reichstag pegou fogo.

O prédio do parlamento alemão foi incendiado em fevereiro de 1933.

Um jovem comunista holandês foi preso no local e acusado de terrorismo.

Hitler usou o episódio para convencer o presidente Hindenburg a assinar o Decreto do Incêndio do Reichstag,

que suspendia direitos civis, autorizava prisões arbitrárias e dava poderes quase ilimitados à polícia.

Foi o fim da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão e da oposição política.

A partir dali, qualquer um que criticasse o regime podia ser preso sem julgamento.

O pretexto era proteger a nação — mas, na prática, o decreto abriu as portas para o terror.

(inserir aqui uma imagem do Reichstag em chamas e um box com os principais efeitos do decreto de fevereiro de 1933)

5. A criação do regime totalitário

Com os direitos civis suspensos, o próximo passo foi eliminar a própria democracia.

Em março de 1933, o parlamento aprovou a Lei de Concessão de Plenos Poderes,

que permitia ao governo de Hitler criar leis sem consultar o Reichstag — inclusive leis que contrariavam a Constituição.

Isso marcou o início formal da ditadura nazista.

Os partidos foram sendo fechados, sindicatos dissolvidos, líderes opositores presos ou exilados.

Sim, isso tudo com Hitler ainda como chanceler.

A Alemanha passou a ser um Estado de partido único, comandado por Hitler.

Agora, ele não era apenas o chanceler.

Era o chefe absoluto de um regime que não aceitava críticas, nem diversidade, nem democracia.

6. O Terceiro Reich

O regime nazista se autodenominou Terceiro Reich, ou "Terceiro Império".

Essa expressão passava a ideia de continuidade histórica:

o Primeiro Reich teria sido o Sacro Império Romano-Germânico;

o Segundo, o Império Alemão de Bismarck;

e agora, o terceiro seria o império restaurado por Hitler.

O nome ajudava a criar um clima de grandeza e destino histórico,

como se Hitler estivesse cumprindo uma missão ancestral.

Isso fazia parte da estratégia de propaganda para consolidar sua imagem como líder salvador da Alemanha.

(*inserir aqui um mapa da Alemanha em 1933 com o título "O início do Terceiro Reich")

7. A Noite das Facas Longas

Apesar de toda a repressão, havia divisões internas no próprio movimento nazista.

A SA, liderada por Ernst Röhm, ainda sonhava com uma revolução mais profunda.

Isso incomodava o Exército e os aliados conservadores de Hitler.

Em junho de 1934, Hitler mandou prender e executar Röhm e outros líderes da SA em uma operação conhecida como Noite das Facas Longas.

A ação também atingiu outros rivais políticos, como Schleicher.

Com isso, Hitler eliminou ameaças internas,

ganhou a confiança do Exército e consolidou seu poder absoluto.

Pouco depois, com a morte de Hindenburg,

ele se autoproclamou Führer — líder supremo da Alemanha.

Mas já chegamos nesse ponto.

(inserir aqui uma linha do tempo com os eventos entre janeiro de 1933 e agosto de 1934)


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